A manhã desta sexta feira ficou marcada pela convocação de uma greve geral por todos os 27 Estados brasileiros. Nove unidades sindicais fizeram o apelo e pediram a toda a população que saísse à rua para reinvindicar as políticas do governo de Michel Temer.

Vários sindicatos brasileiros apelaram a esta greve, dos quais se destacam a Central Única dos Trabalhadores (CUT) – a maior central sindical do país -, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadores no Brasil (CTB) ou a Central Geral dos Trabalhadores (CGTB).

Em causa estão as várias políticas de Michel Temer, nomeadamente as reformas laborais e de pensões. Estas políticas de Temer preveem a prevalência de acordos coletivos em relação à lei em alguns pontos específicos e novas regras de idade e de tempo de contribuição dos trabalhadores brasileiros.

O projeto que antecipa as mudanças laborais já foi aprovado pelos deputados da câmara baixa e seguiu para a análise dos senadores que compõe a câmara alta do país. Relativamente às reformas de pensões, o governo brasileiro defende essas reformas como forma de recuperar a economia e nega que estas irão tirar direitos aos trabalhadores.

A medida já foi aprovada pelos deputados da câmara baixa e seguiu para a análise dos senadores que compõe a câmara alta do país. Os manifestantes que aderiram à greve geral também aproveitam o ato para marcar posição contra alterações no sistema de pensões, ainda em fase de discussão no Congresso do Brasil.

As primeiras reações começaram ainda de madrugada, com vários manifestantes a ocuparem vias rodoviárias e a bloquearem transportes e avenidas das principais capitais brasileiras. Em São Paulo, vários manifestantes bloquearam a rodovia Hélio Schmidt, que dá acesso ao Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos, em Cumbica, o que obrigou a que a Polícia Militar desimpedisse a via. Também as linhas ferroviárias e de metro na capital estão bloqueadas, com exeção da 4- Amarela, gerida por uma empresa privada.

No Rio de Janeiro, houve um protesto no Aeroporto Santos Dumont e os manifestantes bloquearam o trânsito em vários pontos do Rio de Janeiro, mas os transportes públicos estão a funcionar. A paralisação mais importante na capital ‘carioca’ aconteceu numa ponte movimentada que liga a cidade ao município vizinho de Niterói. O acesso aos carros foi restabelecido mais tarde.

Em Brasília, sede do Governo do país, não há transporte de autocarros nem de metro. O aeroporto está a funcionar, mas os administradores informaram que os voos podem ser cancelados ou atrasados.

O dirigente da CUT, Ismael Cesar, contesta as alterações laborais do governo brasileiro, entre elas o projeto lei que prevê o congelamento dos investimentos públicos durante os próximos 20 anos.

O Governo de Temer tem aceitado uma série de reformas na constituição e nas leis trabalhistas do país que atentam contra os direitos dos trabalhadores no Brasil. Esperamos fazer um grande dia de mobilização social, como nunca foi feito na história do país, esperamos que parte considerável da classe trabalhadora pare.”, adianta o dirigente sindical.

Estas reivindicações surgem numa altura em que o governo brasileiro atravessa um período de fraca popularidade. Uma sondagem da consultora Ipsos, revelada esta semana, revela que apenas 4% dos brasileiros considera o governo bom. Por outro lado, 92% da população está convencida de que o país está a seguir um caminho errado.

Vários setores do país estão previstos para entrar nesta greve, dos quais o setor dos transportes terrestres, da educação, do comércio ou dos serviços. Também os principais aeroportos deverão parar ou ter graves congestionamentos.

Promete ser a maior greve geral convocada dos últimos 21 anos. A última remete a 1996, quando o país parou e se manifestou contra o governo do ex presidente Fernando Henrique Cardoso. Na altura estavam em causa políticas de privatização, a flexibilização do trabalho e o desemprego.

As reações já surgiram nas redes sociais. No Twitter, a #BrasilEmGreve já chegou ao segundo lugar no top dos assuntos mundiais mais comentados.