Chamem-lhe crossover ou SUV, o que nos dias que correm são conceitos complexos de diferenciar, mas no que diz respeito aos modelos de menores dimensões o rei, na Europa e em Portugal, é o Renault Captur. E com uma vantagem confortável.

Desde que surgiu no mercado, em 2013, concebido com base na plataforma que serve igualmente o Clio, o Captur sempre se impôs pela estética, atraente e com um nível de sofisticação menos vulgar num veículo que, acima de tudo, é acessível. E, segundo a marca francesa, são exactamente as linhas exteriores que mais pesam mais na altura de cativar os clientes do modelo.

Mas há cada vez mais concorrentes, pelo que, para manter a liderança, a Renault teve de reforçar os argumentos do seu mini SUV, e daí o restyling que agora foi apresentado, que será introduzido no mercado nacional em Junho.

O que muda na estética

Tudo o que é verdadeiramente importante, como o tejadilho, portas, capot de motor e tampa da mala, não sofreu alterações, mas nem era necessário porque, como os franceses avisaram logo a abrir, “em equipa que ganha não se mexe” e o Captur é quem dá cartas em matéria de vendas. Agora dos pára-choques, à frente e atrás, aos faróis dianteiros (que passam a ser full LED em algumas versões), tudo é novo, com ênfase para a grelha, que exibe uma forma destinada a aproximá-la do Kadjar e do futuro Koleos.

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É claro que, com este refrescar de estética a meio do ciclo de vida do produto, a marca aproveitou igualmente para dotar o mais pequeno dos seus SUV com a característica assinatura da casa, um grande “C” em LED destinado à iluminação diurna, ainda que menos generoso do que os utilizados pelo Mégane e Talisman.

Apostada em incrementar as possibilidades de personalização do modelo, a Renault passa a oferecer três novas cores para a carroçaria – Laranja Atacama, Azul Ocean e Preto Ametista – e uma nova para o tejadilho – Cinzento Platina –, o que aliado às novas protecções inferiores para ambos os pára-choques, e os vivos que ornamentam as aplicações laterais dos painéis de porta, permite encontrar 30 combinações diferentes. Ou mais, se juntarmos os cinco packs exteriores para os frisos laterais dos painéis de porta e dos centros de rodas (packs de personalização aqui).

Finalmente uma versão mais radical

Apostada em conquistar os condutores ávidos de um veículo mais radical, o fabricante gaulês passa a propor uma versão XMOD, que se distingue por estar equipada com um sistema de controlo de tracção Extended Grip, continuando a manter, tal como as restantes versões, apenas tracção à frente.

Juntamente com este sistema destinado a incrementar a tracção em pisos escorregadios, do tipo lama ou neve, o novo XMOD usufrui igualmente de pneus M+S (Mud and Snow), que é o maior trunfo para conseguir ir mais longe em situações limite. Contudo, não são os melhores pneus para circular em estrada, nem em ruído nem em aderência, mas isso é outra conversa.

Os pneus M+S, por terem um perfil mais alto, permitem igualmente elevar a altura ao solo, o que também é um argumento com peso para evitar que o modelo fique preso por baixo em zonas mais irregulares, onde não há Extended Grip que o ajude.

Os materiais melhoraram?

O habitáculo do Captur passa a disponibilizar seis packs de personalização, com cores como Branco Marfim, Azul Ocean, Caramelo, Vermelho, Cromado Acetinado e Cromado Patiné, o que facilita a tarefa dos condutores que fazem questão em “vestir” o seu veículo à sua maneira e, sobretudo, em diferenciá-lo do vizinho.

Mas além do aspecto cromático, o Captur evoluiu consideravelmente ao nível dos materiais. Nada dos anteriores plásticos duros, agradáveis à vista mas não ao toque, que agora foram substituídos por materiais mais macios nas zonas em que o condutor e passageiro têm mais facilmente acesso, no tablier e painéis de porta.

De realçar ainda que este SUV, além de uma capacidade de mala muito interessante para um veículo com estas dimensões, disponibiliza ainda inúmeros espaços para arrumar objectos dentro do habitáculo, que pode ver com detalhe aqui:

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Initiale dá-lhe asas

Onde a Renault parte a loiça é no capítulo do requinte, pois ao introduzir a versão Initiale Paris como o topo de gama do Captur – à semelhança do que já acontecia, por exemplo, no Clio –, o este mini SUV passa a ser o mais luxuoso do segmento.

E não é só conversa. Os bancos são mais envolventes e confortáveis, com um revestimento a pele muito agradável ao tacto, a mesma que é utilizada para envolver o volante e a alavanca da caixa. Mas o Captur, na sua ânsia de agradar, estendeu o revestimento a couro aos painéis de porta e à maior parte do tablier, o que ajuda na sensação de qualidade a bordo.

Como a versão mais cara da gama, o Initiale Paris oferece todo o equipamento a que o Captur pode deitar mão, entre o destinado a incrementar a segurança e o outro, que visa o conforto e as ajudas à condução.

No exterior, além das aplicações à frente, atrás e nos painéis laterais com o emblema da versão, o Initiale Paris distingue-se ainda dos restantes por apresentar uma grelha diferente, com elementos cromados, que resulta bem mais agradável à vista, um pouco à semelhança das jantes de 17” com que esta versão também está equipada. Veja aqui os detalhes do Captur Initiale Paris:

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O que oferece a mais em termos de equipamento

Para os melómanos, até pode ser que o elemento mais interessante do equipamento oferecido pelo renovado Captur seja o sistema de som Premium Bose, com um subwoofer e seis colunas com altifalantes de alta definição. Mas este não é o único argumento do pequeno SUV, que passa a incluir três níveis de multimédia, respectivamente R&Go, Media Nav Evolution e R-Link Evolution. Se o primeiro se caracteriza por ser oferecido na versão mais acessível (Zen) e recorrer ao ecrã do smartphone onde faz correr uma série de aplicações, a começar pelo sistema de navegação, o segundo deita mão do ecrã de 7” ao centro do tablier para proporcionar uma boa relação preço/qualidade, incluindo já sistema de navegação com informações de trânsito, câmara de marcha-atrás, entre outras funções.

Os mais exigentes, ou os que optarem pelas versões mais equipadas, podem explorar o R-Link Evolution – pela primeira vez é compatível com o Android Auto –, que possui a capacidade de reproduzir imagens e vídeos e ainda os sistemas de ajuda à condução.

A segurança não foi esquecida, pelo que o Captur oferece agora alerta de ângulo morto, que evita que o condutor seja surpreendido em auto-estrada, quando pretende mudar de faixa e está a ser ultrapassado, bem como o sistema de estacionamento mãos livres, no qual o condutor tem de seleccionar a forma como quer parar o seu carro, em paralelo ou em espinha, para depois os sensores do veículo detectarem um lugar livre, calcularem a trajectória e se ocuparem do volante, cabendo ao condutor apenas ajustar o acelerador e o travão.

Consoante as versões, estão igualmente disponíveis o radar de marcha-atrás, o radar dianteiro e a câmara de marcha-atrás. No habitáculo e apenas nas versões bitom, o Captur passa a poder montar um tecto panorâmico em vidro, que torna o habitáculo mais luminoso.

Os preços dispararam?

A resposta é não, uma vez que o Captur, apesar de possuir mais equipamento e melhores materiais, é proposto pelo mesmo preço da geração anterior (pode consultar a tabela aqui). As diferenças são ao nível das versões, com a mais acessível, antes denominada Sport, a ser agora apelidada Zen. Depois desta surge a Exclusive e a Exclusive XMOD, que prometem ser as mais vendidas e que conferem ao veículo um estilo mais bem-comportado, ou mais radical, para depois o Captur Initiale Paris se assumir como aquilo que é: o mais luxuoso. E, obviamente, o mais caro.

Há quatro motores disponíveis, como até aqui, com dois a gasolina e outros tantos diesel. Entre as soluções a gasolina, surgem o TCe 90 e o TCe 120, ambos sobrealimentados através de um turbocompressor, o primeiro um três cilindros com 898 cc e 90 cv, que anuncia 171 km/h e um consumo médio de 5,1 litros, enquanto o seu “irmão” mais possante monta um quatro cilindros com 1.197 cc e 120 cv (já com injecção directa, mas ambos com quatro válvulas por cilindro), sendo capaz de atingir 182 km/h e um consumo de 5,5 litros. Este motor, à semelhança do dCi 90, pode ser comercializado com uma caixa EDC de dupla embraiagem, com as motorizações a serem propostas a partir de 18.000€.

As opções a gasóleo surgem a partir dos 22.000€, ambas com o motor 1.5 dCi, que é proposto com 90 e 110 cv. O primeiro anuncia 171 km/h e apenas 3,7 litros de consumo, enquanto o dCi 110 mantém o consumo, mas é mais rápido a acelerar e em velocidade máxima, ao atingir 180 km/h.

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Como é ao volante

Durante um breve ensaio, tivemos a oportunidade de conduzir o Captur Initiale Paris, com motor dCi de 110 cv e não há dúvidas que o mini SUV impressiona pelo seu maxi requinte. Os bancos são muito confortáveis, com a pele de primeira qualidade – bem como o nível de equipamento – a não nos deixar indiferentes, tanto mais que ainda estamos a falar de um modelo proposto bem abaixo dos 30.000€. Quase tão importante é a presença do revestimento a pele do tablier e portas, muito raro em modelos desta bitola.

O ruído do rolamento está mais contido, da mesma forma que o trabalhar dos motores chega agora mais comedido ao habitáculo, o que se agradece, sobretudo nos diesel. Apesar de mais alto – comparado com um utilitário convencional como o Clio – o Captur continua a portar-se bem, o que foi conseguido com as melhorias introduzidas nas suspensões em 2016 e que se mantém aqui. O sistema de navegação através do R-Link Evolution funciona melhor e a prova é que não nos perdemos uma só vez em Copenhaga, com o som da Bose a animar a viagem, especialmente quando descobrimos um posto de rádio com música que não a dinamarquesa.

Depois da versão mais sofisticada do Captur, passámos para uma daquelas que deverá figurar entre as mais vendidas, a Exclusive TCe 120. Sem os bancos em pele e com as tradicionais capas que se podem facilmente retirar para lavar, este modelo permitia realçar a melhoria dos materiais interior dos Captur normais, ou seja, que não o Initiale Paris. Com um plástico macio no corpo central do tablier e portas, o veículo ganha consideravelmente. No capítulo das melhorias, de realçar também a solução, estranha mas funcional, para evitar que os fechos dos cintos de segurança traseiros, quando não estão em uso, produzam ruído ao bater nos revestimentos interiores das cavas das rodas.

O motor de 120 cv a gasolina é consideravelmente mais dinâmico do que o seu parente de 110 cv a gasóleo e, sobretudo, muito mais silencioso. Consome menos, mas não conseguimos encontrar os quase dois litros de diferença nos valores anunciados (3,7 para 5,5 litros/100 km), tendo nós conseguido, em trajectos similares, rodar com média de 4,5 no diesel e 5,7 no gasolina.

Mas depois, quando pretendíamos conduzir um pouco mais rápido, o TCe 120 oferecia-nos 1,5 segundos de 0 a 100 km/h (9,9 contra 11,4 segundos) e uma agradabilidade de condução muito similar em ritmo de passeio, fruto da relativamente pequena diferença de força a baixo regime (205 contra 260 Nm). Agora se considerarmos os preços de venda a público entre ambas as motorizações, encontramos cerca de 4.200€ (considerando a Executive), valor difícil de recuperar, a menos que se percorram grandes distâncias.