O sistema de carta por pontos entrou em vigor há precisamente um ano. Mas a verdade é que nenhum condutor que tenha perdido sete ou mais pontos, escreve o Jornal de Notícias, fez a formação de segurança rodoviária obrigatória. Esta quarta-feira a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) divulgará as estatísticas do primeiro ano de funcionamento da carta por pontos, mas em dezembro pelo menos um automobilista tinha perdido oito dos 12 pontos, o que obrigaria a frequentar a formação.

Entrevistado pelo Jornal de Notícias, o presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Miguel Trigoso, culpa a “demora” da ANSR pela ausência de condutores inscritos na formação de segurança rodoviária.

Os condutores só são notificados meses depois e, caso haja contestação, os processos podem arrastar-se por mais de um ano.” E acrescenta, Trigoso: “Depois de um período em que houve uma melhoria [nas infrações], este ano estamos a piorar. No começo, os condutores podem até ter refreado comportamentos, mas acabaram por regressar às mesmas práticas ao perceberem que a fiscalização é a mesma.”

José Miguel Trigoso refere-se às estatísticas da sinistralidade nas estradas portugueses divulgadas em maio pela ANSR. Nos cinco primeiros meses deste ano registaram-se 166 mortes — mais 20 do que em igual período do ano passado. Quanto ao número de acidentes, este baixou de 48.873 para 45.383, enquanto os feridos graves aumentaram de 701 para 704.

Em dezembro, quando o sistema de carta por pontos completou seis meses, oito condutores haviam ficado sem pontos na carta da condução por excesso de álcool. À época aguardavam ainda pela conclusão do processo para ficarem inibidos de conduzir durante dois anos, revelava a ANSR. Após a cassação da carta de condução, e após os dois anos de inibição, estes condutores vão poder tirar novamente o título.

O excesso de velocidade, uso do telemóvel durante a condução e excesso de álcool são as contraordenações que mais têm contribuído para os automobilistas perderem pontos na carta de condução.