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Ainda que a questão da autonomia tenda a ser incontornável quando o tema são os automóveis eléctricos, um modelo há, pelo menos, que constitui a excepção a esta regra: o Tesla Model S P100D. Versão mais potente e performante da gama do familiar norte-americano, aqui tendem a ser mais frequentemente invocados os seus predicados enquanto velocista, ou não fosse este o modelo de produção em grande série mais rápido do mercado nos 0-100 km/h (exercício que cumpre, oficialmente, em míseros 2,5 segundos, embora clientes da marca haja que afirmam já ter conseguido melhores tempos).

Não significa isto, contudo, que fiquem tolhidas as suas capacidades em termos de autonomia. Bem pelo contrário. Até porque um dos principais trunfos que lhe permitem alcançar as tais prestações excepcionais é o mesmo que também contribuirá para uma autonomia de referência – a maior capacidade e densidade energética do seu pack de baterias. Assim seja conduzido de molde a fazê-la sobressair.

Terá sido, basicamente, este o raciocínio desenvolvido por Steven Peters e Joeri Cools, dois belgas que decidiram avaliar as capacidades do Model S P100D, no domínio da autonomia, através de um teste de hipermiling. Expressão que, numa tradução livre para português, significará qualquer coisa como “hiperquilometragem”, e que consiste, muito basicamente, em conduzir um veículo de forma tão eficiente quanto possível, para cumprir a maior distância possível com um depósito de combustível ou uma carga de bateria. Procedimento que não será o mais indicado para determinar a autonomia de um automóvel, mas que não deixa de ser interessante para bem perceber a influência que o estilo de condução tem na respectiva eficiência energética.

No caso do duo belga, a táctica passou por nunca utilizar o ar condicionado, e por cumprir tantas vezes quanto necessário o mesmo percurso de 26 km, com início e fim nas imediações de um posto de carregamento de 22 kWh – isto para garantir o fácil recarregamento do veículo após o final da prova.

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Os próprios mentores do projecto reconhecem que, em teoria, seria mais favorável conduzir em linha de recta, de preferência a favor do vento, mas também encontraram vantagens na abordagem por si adoptada: a cada “volta” foram percebendo qual a forma mais eficiente, na perspectiva do consumo, de abordar e descrever as curvas e rotundas, além de que o método permitiu comparar os valores obtidos com diferentes temperaturas do ar.

No final, e mesmo que a nível apenas oficioso, um novo recorde foi estabelecido pelo Model S P100D: 901,2 km percorridos com uma única carga de bateria, ao longo de 23 horas e 45 minutos e a uma média de 40 km/h. Um feito que os dois belgas nunca julgaram ser possível alcançar por um automóvel com mais de 2,5 toneladas de peso, chegando a registar médias de consumo de apenas 88 Wh/100 km.

Por terra fica o anterior recorde de Casey Spencer, proprietário de um Model S 85D, que conseguiu conduzir durante 26 horas a uma média de 35 km/h, percorrendo 885 km com uma carga de bateria.