O Rio de Janeiro comemora este sábado cinco anos desde a classificação como Património Mundial da Unesco, num momento em que a luta contra a poluição e violência são os maiores desafios para manter o galardão.

Em entrevista à Lusa, Augusto Ivan de Freitas Pinheiro, presidente do Instituto Rio Património da Humanidade, órgão camarário que cuida dos bens classificados, admitiu que os problemas de poluição, particularmente na Baía de Guanabara, constituem os maiores riscos.

Em contrapartida, os outros locais que fazem parte da paisagem cultural classificada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) têm uma tradição de preservação antiga, disse, referindo-se a sítios como o morro do Pão de Açúcar, o Corcovado, a floresta da Tijuca, o aterro do Flamengo, o Jardim Botânico ou a praia de Copacabana.

“A baía de Guanabara continua poluída, temos também muitas lagoas ameaçadas pela poluição na cidade. Fizeram alguns projetos, mas o resultado ainda é insuficiente”, explicou Freitas Pinheiro, que se mostrou particularmente preocupado com a preservação daquele braço de mar onde está implantada a metrópole brasileira.

“A baía de Guanabara é um exemplo de que a conservação dos espaços é o maior desafio do Rio de Janeiro”, frisou. Freitas Pinheiro recordou que existe uma tradição de preservação do território que não mudou, apesar da pressão populacional.

“As áreas que foram levadas em consideração pela Unesco, como por exemplo, a praia de Copacabana, o Cristo Redentor ou o centro da cidade estão sendo preservadas. Quando traçamos um perfil de proteção de zonas de interesse cultural e natural percebemos os locais estão protegidos”, disse.

No que se refere ao património histórico, Freitas Pinheiro mostrou-se tranquilo com a preservação e deu como exemplo a existência de uma lei que isenta de pagar imposto territorial urbano os proprietários de imóveis em locais considerados símbolo da cidade para que, em troca, eles mantenham os prédios em bom estado.

Quanto aos espaços naturais, Freitas Pinheiro salientou que a presença de turistas acaba por contribuir para a sua preservação por parte das entidades públicas.

O responsável manifestou-se ainda preocupado também com a violência urbana que pode ter consequências na tradição de multiculturalidade e animação da cidade, que é um dos pressupostos da classificação da Unesco.

“A violência é um problema que preocupa muito. Os cariocas estão acostumados a ir à rua e a conviver. A violência, porém, tem feito com que as pessoas fiquem mais recolhidas já que o espaço de fora de suas casas está muito hostil. Esta é uma situação muito difícil”, afirmou.

“O medo tira as pessoas das ruas e sabemos que numa cidade não existem espaços vazios. Se os lugares ficarem vazios tornam-se vulneráveis e podem ser ocupados com usos negativos”, completou.

O especialista deu o exemplo da floresta da Tijuca que foi recuperada no século XIX depois de um grande desmatamento provocado por plantadores de café.

“Sem segurança as pessoas podem deixar de usar a Floresta da Tijuca, por medo de sofrerem com a violência. Não é apenas a polícia quem pode resolver o problema. Além do poder público é preciso também da população ocupe este espaço”, concluiu.