Os oficiais do Exército estão a ser convocados a depor as suas espadas à porta da Presidência da República, em sinal de protesto pela demissão de cinco comandantes na sequência do roubo em Tancos. A notícia está a ser avançada pelo Expresso, que adianta que a convocatória, marcada para quarta-feira às 11h30, está a ser feita por email.

Este protesto tem por objetivo pedir a exoneração do chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), Rovisco Duarte, e do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Pina Monteiro e protestar contra a demissão temporária de cinco comandantes. A intenção é “demonstrar a indignação, através da entrega da espada, símbolo do comando de oficiais, pela exoneração e humilhação pública, familiar, social a que foram sujeitos os nossos camaradas” e “pedir a recondução dos coronéis exonerados no comando das unidades e um pedido formal de desculpas pela Instituição aos seus familiares e camaradas de armas”, refere o email, citado pelo Expresso.

A Associação de Oficiais das Forças Armadas não se vai juntar ao protesto, garantiu António Costa Mota, presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, ao jornal Público. “Independentemente de concordar ou não, é uma questão interna do Exército. É uma decisão legal e legítima. Podemos concordar ou não, mas não nos manifestamos. Se as razões são essas, nunca nos poderíamos associar a um acto desses”, apontou.

Há ainda uma série de regras que constam no email às quais os manifestantes deverão obedecer: para além de terem de levar as espadas, terão de estar fardados, com o “uniforme nº1, sem condecorações, só com os crachás de especialidade”.

A manifestação começará em frente ao Monumento aos Mortos, em Belém, e seguirá até ao Palácio de Belém em marcha silenciosa. Nessa altura, os oficiais irão depositar as suas espadas em frente à residência de Marcelo Rebelo de Sousa, comandante supremo das Forças Armadas — que, até ao momento, nada disse sobre a demissão dos comandantes.

Questionado sobre este protesto, esta segunda-feira, o Presidente da República não quis comentar.

Recorde-se que o chefe do Estado-Maior do Exército disse, este sábado, ter exonerado cinco comandantes das unidades ligadas à segurança dos paióis de Tancos “por uma questão de clareza e para não interferirem com o processo de averiguações”.

Cinco comandantes demitidos na sequência do roubo de armas em Tancos

Loureiro dos Santos: “É uma manifestação muito grave”

O antigo chefe do Estado-Maior do Exército, o general Loureiro dos Santos, considera esta manifestação “muito grave”, sublinhando que este tipo de protesto só se faz “em situações extremamente graves”. “Não sei se o que se passou o justifica.”, acrescenta.

O general afirma ainda que toda esta situação “dá a impressão” que “os militares são os culpados do que está a acontecer”. Ainda assim, está na dúvida se esta é a melhor maneira de os oficiais demonstrarem o seu desagrado.

“Em boa verdade, os oficiais do Exército sentem que não estão a ser tratados da forma mais correta do ponto de vista dos seus direitos e deveres.”

E vai mais longe. “Se estivesse no ativo e me sentisse lesado, eventualmente participaria [no protesto]”, afirma Loureiro dos Santos, acrescentando que nunca participou em manifestações deste tipo quando estava no ativo. “Se eles entendem que há razões para fazer, devem fazê-lo.”

Relativamente ao atual CEME, o general considera-o “um homem sério”, “capaz”, “responsável”. “Tenho a melhor impressão do atual CEME. Não sei até que ponto merecerá posições da natureza daquelas da manifestação.”