O rover Curiosity, o veículo da NASA que está a explorar a superfície de Marte, vai tirar dez dias de férias. E já sabe o que vai fazer: ficar à sombra da… bananeira. A partir do próximo sábado, 22 de julho, e até 1 de agosto, nenhum dos dois veículos de lançamento ou das três sondas que a agência espacial norte-americana tem em Marte vai comunicar com a NASA. Tudo porque vai ocorrer uma conjunção solar. E não, não estamos a falar marciano.

Estas são as segundas férias do Curiosity desde que “amartou”, a 6 de agosto de 2012, para andar pedra atrás de pedra a olhar à lupa para o solo do Planeta Vermelho. Tudo no âmbito da missão Mars Science Laboratory, que pretende estudar o clima marciano, saber as suas condições de habitabilidade e, quem sabe, dar as boas-vindas aos primeiros humanos a chegar a Marte. Acontece que, no final desta semana, este planeta vai estar do outro lado do Sol. As comunicações entre as nossas máquinas em solo marciano e os computadores que os coordenam a partir da Terra vão ser muito difíceis, não houvesse uma bola de fogo incadescente gigante entre nós e os vizinhos vermelhos.

É como um “telefone estragado”, explica Chad Edwards, gestor do Mars Relay Network Office da NASA. Embora seja possível “conversar” com as sondas ou os veículos, a comunicação vai ser constantemente interrompida, como se houvesse interferências. Essas interferências são causadas pelos gases ionizados que compõem a coroa solar, uma espécie de atmosfera do Sol, e podem levar as máquinas a perceber mal uma determinada informação. Se isso acontecesse, as máquinas podiam executar uma ordem completamente errada, colocando em causa toda a missão. É por isso que a NASA prefere ficar em silêncio durante dez dias.

Acontece que as folgas que o Curiosity vai gozar não serão passadas a apanhar banhos de sol. Os robôs que a NASA colocou no país vizinho são trabalhadores compulsivos e foram programados para executar ordens enviadas previamente: as sondas vão continuar a fazer observações científicas e a armazenar dados que vão ser enviados para a Terra assim que o Sol sair do nosso caminho; e os rovers, embora com os motores parados, vai continuar a fazer observações e medições do solo marciano. Parte dessa informação vai continuar a ser enviada para a Terra para que a NASA tenha a certeza que a sonda não se despenhou ou que o rover não acabou encurralado num desfiladeiro vermelho.

Por enquanto, a agência espacial norte-americana está concentrada em estacionar os rovers no cume Vera Rubin, uma região marciana batizada em homenagem à astrónoma pioneira no estudo das curvas de rotação de galáxias espirais. Desde 2013 que o Curiosity não tirava férias: nesse ano ficou um mês inteiro sem dar novidades por causa da conjunção solar desse ano.