Pessoas totalmente nuas pelas ruas. Orgias na praia. Bacanais nas discotecas. Tudo à frente de outras pessoas. Esta será a melhor forma de resumir o que se passa em Cap D’Agde, a “capital mundial do sexo em público”. Quem assim batizou o local foi um jornalista do El Español que, quase que infiltrado, esteve neste complexo turístico no sul de França — bem perto da fronteira com Espanha — e testemunhou com os seus próprios olhos o que se passa na “Sodoma e Gomorra do século XXI”.

Todos os verões, Cap D’Agde recebe 40 mil turistas, a maioria franceses, belgas, alemães e holandeses com cinquenta anos ou mais, com um só propósito: sexo. Vá, dois propósitos: fazer nudismo e ter sexo.

Mas nem sempre foi assim. Nos 50, Cap D’Agde era um vila piscatória e ninguém andava nu. Foi nos anos 60, com a construção de resorts, que o turismo se começou a desenvolver na localidade. Do turismo ao nudismo, foi um instante.

Hoje em dia, além de nudismo, o que se vê é sexo. Exceto na povoação. É o único local onde não se pode ter relações sexuais em público, mas por lá também ninguém anda com roupa durante o dia — nem nas idas ao supermercado ou à fármacia.

Uma nota: Cap D’Agde tem um doce típico, de nome Zizi, muito semelhante aos doces das Caldas da Rainha. Sim, daqueles que são um órgão sexual masculino.

Na praia é comum assistir-se a cenas de sexo. Há uma parte do areal (a maior) que se destina a famílias de nudistas — crianças incluídas. Depois há a Baía dos Porcos (sim, o nome é igual à de Cuba) para os swingers (casais que trocam de parceiros) onde é proibida a entrada de menores. Por último, uma zona mais pequena é reservada aos casais homossexuais.

É nestes dois últimos locais que “a ação acontece”. Casais a terem relações sexuais à frente de outros é o normal, mas ninguém fica indiferente. Estas cenas têm sempre espectadores-participantes, isto é, pessoas que se levantam das suas toalhas para se aproximarem e verem de perto a cena. Há casais que enquanto estão a fazer sexo incentivam o público a participar, em conjunto ou a sós.

Aparentemente, só há uma coisa que é proibida: tirar fotografias ou filmar estas cenas. Quem se atrever a tirar o telemóvel para fazê-lo é imediatamente repreendido por quem quer que esteja à volta.

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Com o cair da noite, a festa intensifica-se. Mas é nesta altura que os turistas andam mais vestidos. Aliás, é obrigatório os homens estarem bem apresentados para entrar nas discotecas: calças e camisas são um requisito obrigatório. Já as mulheres, de acordo com o testemunho do jornalista espanhol, são bastante mais arrojadas na sua escolha de vestuário

O epicentro da noite é na discoteca Le Glamour, a maior da povoação. Aqui o telemóvel é proibido, mas o sexo em público não. Pode ser praticado em várias divisões do sótão do espaço, que vão desde quartos, a masmorras e gloryholes — quartos ou casas de banho cujas paredes têm buracos nas paredes através dos quais se tem relações sexuais ou se assiste a cenas de sexo.

À semelhança do que acontece na praia, o espaço está dividido: um lado é para os solteiros — que recebem uma pulseira verde à entrada — e para os trios, o outro para as mulheres e os casais.

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Os solteiros não podem ‘ultrapassar a fronteira’ e ir para outra divisão. O jornalista espanhol, aliás, ressalva que as pessoas que vão sozinhas para Cap D’Agde são aquelas que têm “menos sorte”. Isto é, os solteiros não são bem vistos pelos casais e acabam por ter menos relações sexuais.

Mas ir para este destino não é barato. Para além de ter de se pagar uma taxa de 45 euros para se entrar na cidade — oito euros se se for a pé ou 18 euros para se entrar com o carro — o alojamento, a comida, as bebidas e as compras são caros. Só a entrada na discoteca não custa menos de 60 euros — 90 para os solteiros.

E todas as pessoas são obrigadas a mostrar o bilhete de identidade à entrada da povoação.