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Taekwondo

O percurso de Joana Cunha da engenharia à gestão, sempre com o taekwondo pelo meio

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Trocou de curso e de cidade, mas não de modalidade: Joana Cunha experimentou quase por acaso o taekwondo, foi começando a somar sucessos internacionais e lutará agora por nova medalha nas Universíadas

Joana Cunha foi campeã nacional e europeia universitária em 2017, acabando o Mundial sénior na quinta posição

GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA

Joana estava em casa sem fazer nada. Tinha vindo das aulas e por ali se deixava ficar, a estudar ou simplesmente a ver televisão ou a ouvir música. O irmão passou por ela e conseguiu convencê-la a ir ao ginásio. Mas o que parecia estar mesmo a despertar a sua atenção estava ali ao lado: o taekwondo. Um dia, o professor convidou-a para ir experimentar a modalidade, apenas para ver se achava piada. Tinha 14 anos. Hoje, aos 22, é uma das maiores promessas nacionais no desporto, conta com um currículo de respeito e prepara-se para lutar por mais uma medalha.

A ligação de Joana Cunha, nascida em Mafamude, Vila Nova de Gaia, com o desporto chegou tarde: até chegar ao taekwondo, fizera apenas corridas de corta-mato na escola e pouco mais. Não era algo que lhe despertasse a atenção, ao contrário da arte marcial que constituiu um amor à primeira vista. Este sábado, será a porta-estandarte da delegação portuguesa na cerimónia de abertura das Universíadas, em Taipé, onde tentará repetir a medalha de prata conquistada na última edição do evento, em Gwangju, na Coreia do Sul.

Foi evoluindo e evoluindo, sempre um pouco mais, sem deixar os estudos de parte. Escolheu engenharia, “por gostar muito de matemática”, mas as coisas começaram a correr menos bem no Instituto Superior de Engenharia do Porto. O entusiasmo não era o mesmo, conciliar o desporto e o curso não estava a ser fácil, começou a perder a alegria dos primeiros tempos. Até que mudou. “Contei sempre com o apoio dos meus pais, o que foi muito importante. O curso acabou por ter muita eletrónica e informática, a principal saída era mesmo para essa parte de informática, e isso não me interessava tanto. Surgiu a oportunidade de mudar para a Universidade do Minho e fui”, explica.

As trocas de universidades tendo em conta as condições desportivas e de treino são muito frequentes nos Estados Unidos, por exemplo, mas raras em Portugal. Joana é uma dessas exceções, sendo que quis mudar também para seguir outro caminho nos estudos. Acaba de concluir o segundo ano de Gestão “com uma média de 14/15, o que é muito bom” e consegue conciliar de melhor forma o curso com o taekwondo, uma modalidade com grande tradição na Universidade do Minho e de onde chegam cinco dos sete atletas que estarão nas Universíadas (além de Joana Cunha, há também Rui Bragança, Júlio Ferreira, Jean Michel Fernandes e Nuno Costa; nos restantes, Bruno Fidalgo estuda em Almada e Gabriela Martins no Porto).

Posted by FADU Portugal on Thursday, August 17, 2017

Em termos internacionais, a atleta do Sp. Braga que aproveita os poucos tempos livres para estar com os amigos, ouvir música rock e ir a concertos como o dos Foo Fighters, começou a destacar-se a partir de 2014, ano em que ganhou a medalha de ouro no Campeonato da Europa Sub-21, em Innsbruck. Foi somando mais pódios em taças europeias, conquistou a prata nas Universíadas de 2015 sendo apenas derrotada pela sul-coreana Kim So-Hee, mas acabou por não cumprir, para já, o sonho de chegar aos Jogos Olímpicos.

“Acabei por perder nas qualificações para o Rio de Janeiro mas já estou focada no projeto de Tóquio. É o grande objetivo de qualquer atleta e quero continuar a preparar-me para conseguir lá chegar, sempre com os pés bem assentes na terra, a evoluir o máximo possível”, destaca. Para já, esse caminho vai sendo trilhado com resultados como as vitórias no Campeonato Nacional Universitário e no Campeonato Europeu Universitário, além do quinto lugar no Campeonato do Mundo em -57kg, onde foi eliminada por decisão dos juízes após o empate a dois pontos com a turca Hatice Ingun.

O próximo desafio é em Taipé e logo com esse aliciante de ser porta-estandarte na cerimónia de abertura das Universíadas, uma escolha da chefia de missão “não só pelo desempenho desportivo, mas também académico”. “O facto de fazer muitas provas lá fora, em países com línguas e culturas diferentes, acaba sempre por nos fazer crescer até na forma de estar. As coisas em Taipé têm corrido muito bem até agora, temos um grupo espetacular e será de certeza uma emoção especial poder ser a porta-estandarte da missão. Vai ser incrível”, admite.

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