O fator Teresa foi decisivo para a derrota do PSD em Lisboa. O partido teve números claramente piores do que há quatro anos: passou de 51.156 votos para 28.356 votos (de 22,37% para 11,23% dos votos). Mas Fernando Seara, em 2013, tinha o CDS do seu lado. O verdadeiro teste do algodão são as votações para a Assembleia Municipal e para as juntas de freguesia. E esse diz que os lisboetas não se reviam, sobretudo, na candidata à câmara municipal: Teresa Leal Coelho.

O PSD teve quase mais 10 mil votos para a Assembleia Municipal (38.317 votos), com a lista liderada por José Eduardo Martins, do que teve para a câmara municipal e ficou a morder os calcanhares ao CDS: 15,7% dos votos contra 16,94% dos centristas. Apesar de o resultado continuar a ser mau, significa que há um voto na marca PSD, de pessoas que votam no símbolo do partido, mas que rejeitaram fazê-lo na candidata escolhida por Pedro Passos Coelho.

Para as juntas de freguesia — o PSD conquistou quatro das cinco juntas de freguesia que já liderava — a diferença ainda é maior. Para as Assembleias de Freguesia, 45.165 pessoas votaram PSD, mais 16 mil do que os votos captados por Teresa Leal Coelho. Em termos de votos, presidentes de junta de freguesia e mandatos — o PSD foi a segunda força, tendo conseguido mais 10 mil votos que o CDS. As diferenças são tão grandes que estes números estão a ser debatidos por dirigentes locais do partido para justificarem que a grande responsável pelo desgaste é Leal Coelho e não a marca PSD.

Se o fator Cristas impulsionou o resultado do CDS, o fator Teresa prejudicou o resultado social-democrata. Nas juntas ganhas pelo PSD, esse fenómeno é facilmente verificável. Na Estrela, o PSD teve para a junta de freguesia 3.219 votos, mas para a câmara obteve menos de metade, apenas 1.279 votos. Em Belém, a mesma coisa: 2.679 votos para a junta de freguesia, mas apenas metade (1.139 votos) para a câmara. Assunção Cristas ficou em primeiro nos votos para a câmara nesta freguesia “laranja”, mas até Medina teve mais votos que Teresa Leal Coelho.

No Areeiro, a diferença foi igualmente gritante, com o PSD a conseguir 3.132 votos para a junta de freguesia, o dobro dos votos conseguidos para a câmara municipal (1.429). Em Santo António, uma freguesia mais pequena, o PSD venceu com 1.798 votos, mas para a câmara Teresa Leal Coelho teve apenas 783.

Já nas Avenidas Novas, a única junta de freguesia que o PSD perdeu na cidade, o fenómeno também se verificou. O PSD ficou em terceiro com 2.636 votos, mas para a autarquia teve apenas 1.521.