O autor do ataque em Las Vegas instalou câmaras no interior e no exterior do quarto do hotel Mandalay Bay, no 32º andar, de onde disparou contra pessoas que estavam a assistir a um festival de música country.

Segundo a BBC e o New York Times, as duas câmaras colocadas no corredor e uma na vigia da porta serviriam para alertar Stephen Paddock da aproximação de “seguranças ou polícias”, afirmou um agente. Ainda assim, de acordo com a CNN, o FBI está a investigar o uso das câmaras.

As autoridades encontraram ainda 23 armas, centenas de munições no quarto, que terão sido transportadas nas cerca de 10 malas encontradas na divisão, demonstrando que este ataque, que durou cerca de 10 minutos, foi premeditado. Na sua casa, foram descobertas mais armas e explosivos — no total, foram apreendidas 47 armas encontradas no quarto e em duas casas do atirador.

Fotografias das armas encontradas no quarto de hotel foram divulgadas pela Boston 25 News, na conta de Twitter.

“Foi extensivamente planeado e tenho quase a certeza que ele analisou todas as suas ações”, considerou o xerife de Clark County, Joseph Lombardo.

Doze das armas, refere o New York Times, continham um “bump stock”, um dispositivo legal que se acrescenta às armas e que permite disparar um maior número de balas por minuto. Durante os três dias que esteve instalado no hotel, ninguém da equipa da limpeza entrou no quarto, porque Paddock sinalizou na porta que não queria ser incomodado, referiu um funcionário do hotel.

A NBC adianta que Paddock terá ainda transferido 100 mil dólares (85 mil euros) uma semana antes do ataque para uma conta nas Filipinas, país onde nasceu a namorada Marilou Danley, que as autoridades procuraram no dia do ataque, considerando-a relevante na investigação. Daley, contudo, não estava nos EUA: viajou para as Filipinas no dia 25 de setembro — altura em que foi feita a transferência — e só chegou a Los Angeles na noite de terça-feira.

Não se sabe o que levou o atirador a fazer esta transferência. Eric Paddock acredita que o irmão queria cuidar da namorada, deixando-lhe o dinheiro e até “manipulando-a” para não estar no país no dia do ataque.

“100 mil dólares não é uma grande quantidade de dinheiro. Condenem o Steve por jogar. Ele cuidava das pessoas de quem gostava. Fez de mim e da minha família pessoas ricas”, afirmou Eric Paddock.

As autoridades estão também a analisar 16 relatórios financeiros das últimas semanas, que descrevem apostas de mais de 10 mil dólares por dia feitas pelo autor do ataque.

Fonte policial adiantou ainda as autoridades estão a investigar se Paddock, um contabilista reformado, terá planeado um outro ataque, antes de escolher o festival de música como alvo.

Os motivos para detrás deste ataque, que fez 58 mortos e mais de 500 feridos, ainda estão por apurar. No dia do incidente, o Estado Islâmico reivindicou o ataque, mas a polícia não encontrou até ao momento ligações a organizações terroristas nacionais ou internacionais.

O presidente norte-americano, Donald Trump, descreveu Paddock como sendo um homem “muito, muito doente”.