Longe dos rumores sobre o seu futuro, longe das televisões e até longe de Donald Trump. Foi assim que o Secretário de Estado norte-americano visitou o Afeganistão e o Iraque. Rex Tillerson viajou esta segunda-feira quase em segredo – poucas pessoas fora do seu círculo pessoal sabiam da visita e os poucos jornalistas que o acompanharam só estavam autorizados a partilhar informação depois do avião já estar no ar.

No Afeganistão não chegou a sair da Base Aérea Bagram, onde aterrou o avião militar C-17 em que viajou. Encontrou-se com o presidente Ashraf Ghani e com outros líderes afegãos. No Iraque, deslocou-se a Bagdade para uma breve conversa com o primeiro-ministro Haider al-Abadi.

Rex Tillerson esteve nos dois países com um objetivo comum: estimular os líderes afegãos e iraquianos a entrar em contacto com os rivais de longa data. O Secretário de Estado norte-americano esteve apenas duas horas no Afeganistão, onde revelou apoiar a inclusão de elementos talibãs no governo caso estes renunciem à violência e ao terrorismo e se rendam à estabilidade. Além disso, dedicou boa parte do seu discurso na Base Aérea Bagram ao Paquistão, país vizinho, que desafiou a combater os grupos rebeldes que procuram refúgio no seu lado da fronteira.

Claramente, temos de continuar a lutar contra os talibãs, contra os outros, para que entendam que nunca vão alcançar uma vitória militar”, disse Rex Tillerson no Afeganistão.

Segundo a ABC, Tillerson delineou a estratégia da administração Trump para o Afeganistão e a região envolvente, que consiste em derrotar grupos extremistas que podem eventualmente ameaçar os Estados Unidos; o plano incorpora objetivos para o Paquistão e a Índia, países que o Secretário de Estado vai visitar ainda esta semana.

Horas depois, Rex Tillerson já estava no Iraque. O país tem estadoao lado dos Estados Unidos na luta para derrotar o Estado Islâmico e ambos conseguiram uma grande vitória recentemente, com a recuperação total da cidade de Raqqa, antiga capital do califado. Contudo, o Iraque continua a ter graves problemas internos, com divisões persistentes entre grupos étnicos e religiosos. A mais recente é a insurgência de um movimento independentista curdo, no norte do país, que culminou com o referendo para a independência daquele território.

O Secretário de Estado afirmou estar “triste” com a situação, revelando que ambos, iraquianos e curdos, são aliados dos Estados Unidos. Rex Tillerson encorajou os dois lados a “entrar em discussão e diálogo.”

Eu acho que se ambas as partes se comprometerem com um Iraque unido, com a constituição iraquiana, todas as diferenças podem ser tratadas e os direitos de todos podem ser respeitados”, defendeu o Secretário de Estado norte-americano.

O motivo pelo qual Rex Tillerson quis manter esta viagem em segredo não é conhecido. O Secretário de Estado, que é responsável pelas negociações dos Estados Unidos com a Coreia do Norte, tem estado sob pressão depois de, alegadamente, ter chamado “idiota” a Donald Trump. O futuro de Tillerson tem sido discutido e não há certezas sobre se um dos braços direitos do presidente americano vai sair ou permanecer na administração.