Uma bebé síria, vítima de desnutrição, é pesada numa clínica na cidade de Hamouria, controlada pelos rebeldes, nos arredores de Damasco. Esta e outras fotografias de Sahar Dofdaa, de apenas um mês, datam de 21 de outubro e servem, agora, para ilustrar a catástrofe que assola o país. Tal como Dofdaa, que faleceu no passado domingo, muitas outras crianças podem morrer à fome.

Sahar Dofdda pesava menos de dois quilos na altura em que foram tiradas as fotografias. A mãe, igualmente mal nutrida, não foi capaz de a amamentar; o pai, por sua vez, não tinha capacidade para adquirir leite e suplementos. Uma realidade cada vez mais comum.

“Os abastecimentos estão muito reduzidos e, se isto continua, mais crianças vão morrer”, disse um funcionário da ajuda humanitária, citado pelo The Guardian. O jornal esclarece que tanto médicos como ativistas estão a alertar para a falta de comida, escassez responsável por muitos dos casos de desnutrição que estão a ser registados em clínicas locais e em hospitais de campo. Há mães incapazes de amamentar por estarem mal nutridas e produtos como leite para bebés já praticamente não existem.

A AFP, que partilhou as imagens, escreve que só nos últimos três meses mais de mil crianças sofreram de desnutrição aguda na região oriental de Ghouta, segundo dados cedidos pela UNICEF. Outras 1.589 estão em risco. De referir que dezenas de milhares de civis na zona de Ghouta vivem limitados tendo em conta o bloqueio imposto pelas forças leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad. Cerca de 3,5 milhões de pessoas vivem, na Síria, em áreas sitiadas ou de difícil acesso.

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A ajuda humanitária no norte da Síria fica aquém das necessidades elevadas, garante a organização Médicos Sem Fronteiras, através de um comunicado de imprensa. Após seis anos e meio de guerra, a situação da saúde pública é “precária”, com sistemas de água potável e esgoto em ruínas e com a vacinação infantil de rotina a ser muito limitada — a maioria das crianças até aos 5 anos nunca foi vacinada.

Apesar de os hospitais públicos começarem a funcionar lentamente, depois de terem sido severamente danificados na sequência da guerra civil, em todo o país, e em particular no norte da Síria, há grave escassez de pessoal médico. A isso acrescenta-se ainda o facto de áreas que estiveram na linha da frente do conflito, como Raqqa, estarem contaminadas com “minas, explosivos não detonados e armadilhas explosivas”, armas que visam não só combatentes, mas também civis. São bombas “armadas em bules, ursinhos de pelúcia e geladeiras”.