A Altice, empresa dona da PT/Meo, está a planear a venda da unidade na República Dominicana, para usar o encaixe na redução do endividamento e tentar sacudir a pressão dos mercados financeiros. A notícia é do Financial Times, que sublinha que os planos não são definitivos mas a intenção, neste momento, é vender esse negócio à melhor oferta financeira, do ponto de vista da empresa liderada por Patrick Drahi.

Depois de recusar a ideia de que estaria prestes a ir ao mercado pedir mais dinheiro aos acionistas — um aumento de capital — a Altice indicou que iria parar com a sequência ambiciosa de compras de outras empresas. A tentativa de compra da Media Capital, dona da TVI, vai continuar caso seja aprovada pelos reguladores — esta é a mensagem que a direção tem transmitido aos funcionários em Portugal.

Ao mesmo tempo que indicou que iria parar com as compras, a Altice indicou que iria alienar alguns ativos, designadamente torres de telecomunicações. Mas segundo as fontes que falaram com o FT, também deverá ser alienada a unidade dominicana que a Altice comprou em 2013 à francesa Orange (antiga France Télécom).

A unidade da República Dominicana contribui com cerca de 3% para as receitas totais do grupo, graças aos quase cinco milhões de clientes que a unidade tem naquele país. A operação deu lucro de 185 milhões de euros em 2016, o que ilustra a atratividade que este ativo pode ter e a procura que poderá gerar entre outras empresas do setor.

A Altice perdeu cerca de metade do valor em bolsa, com os investidores preocupados com a dívida acumulada (51 mil milhões de euros) e com perda de clientes e problemas operacionais no mercado francês. O co-fundador Patrick Drahi, regressou ao posto de principal administrador executivo, demitindo Michel Combes e assumindo o seu lugar.