O fundador do PS e antigo Presidente da República, Mário Soares, vai ter uma sala com o seu nome no edifício do Parlamento Europeu, em Bruxelas. De acordo com o comunicado dos socialistas europeus, o Parlamento Europeu pretende assim assinalar um ano do falecimento do histórico socialista — a 7 de janeiro de 2017 — dando o nome a uma das “principais salas de reuniões” do edifício, a ASP – 3G3, reconhecendo o seu “percurso enquanto protagonista de grande relevância na construção do projeto europeu.”

A proposta de atribuir o nome de Mário Soares a uma sala foi feita pela delegação portuguesa dos deputados socialistas no Parlamento Europeu e subscrita pelo presidente do Grupo dos Socialistas e Democratas Gianni Pitella, mas também o apoio do Presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani (que é do PPE, a família europeia de PSD e CDS).

O ato de atribuição do nome vai ocorrer no início de 2018. Mário Soares fundou o PS, partido que liderou, e foi primeiro-ministro e Presidente da República. Soares também foi deputado europeu de 1999 a 2004.

A eleição falhada para presidente do Parlamento Europeu

Mário Soares já não tinha nada a ganhar (nem a perder) quando em 1999 decidiu aceitou o convite de António Guterres para ser o cabeça-de-lista do PS ao Parlamento Europeu. Decidiu então propor-se como candidato a presidente do Parlamento, do qual chegou a presidir a sessão inaugural — uma vez que era o mais velho.

No seu livro “Um político Assume-se” explicou que quis “romper” uma “tradição” em que os socialistas e os democratas-cristão alternavam a presidência em dois anos e meio para cada um. “Não me pareceu democrático esse jogo combinado entre os dois principais grupos porque estabelecia um rotativismo a meu ver inconveniente, porque não tinha qualquer inovação”, contou. Mário Soares — que seria eleito vice-presidente do Parlamento — acabaria por perder a eleição para Nicole Fontaine a quem, em período de campanha, chamou de “dona de casa”.