Richard Jacobs, ex-analista de segurança da Uber, acusou a empresa tecnológica de espionagem, suborno de funcionários estrangeiros, de se ter infiltrado em grupos de chat privados, roubado segredos comerciais e de ter tirado proveito de mensagens secretas bem como do privilégio da relação entre advogado e cliente para obstruir investigações governamentais. A longa lista de acusações contra a empresa tecnológica, que foi valorizada em 68 mil milhões de euros (mesmo sem estar na bolsa), é explicada na CNN.

O ex-funcionário escreveu uma carta de 37 páginas a 5 de maio de 2017, que foi tornada pública na sexta-feira num tribunal norte-americano, no âmbito do processo judicial que a Waymo (empresa de carros autónomos que fazia parte da Google) interpôs contra a Uber. A carta foi enviada originalmente à Uber pelo advogado de Jacobs, que trabalhou na tecnológica até abril de 2017.

Jacobs alega que foi despedido por “levantar objeções e se recusar a participar em atividades ilegais”, mas a Uber contesta. Um dos gestores afirmou que Jacobs foi despedido por motivos relacionados com o seu desempenho. O advogado da tecnológica chegou a dizer numa audiência no início do mês que ele estava a querer extorquir a empresa. A Uber chegou a fechar um acordo com Jacobs para ele não revelar as suas acusações publicamente por 4,5 milhões de dólares, mas as denúncias acabaram por vir a público.

A Wayno acusa um ex-funcionário da Uber de ter descarregado documentos confidenciais dos servidores, mesmo antes de ir trabalhar para o departamento de carros autónomos da Uber, situação que está na origem do processo. Sobre a carta tornada pública, o porta-voz da tecnológica diz que “embora não tenham provas de que as acusações na carta tenham fundamento — e, o mais importante, qualquer relação que possa ter com a Waymo –, a nova liderança deixou claro que a partir de agora vamos competir de forma sincera e justa, com base nas nossas ideias e tecnologia”.

A carta fez com que o juiz adiasse o julgamento do processo que envolve a Uber e a Waymo, que deveria ter começado a 29 de novembro. A nova data aponta para 31 de janeiro de 2018, mas as primeiras acusações foram feitas em fevereiro de 2017. A Waymo acusou Anthony Levandowski, ex-funcionário da Waymo, de tentar roubar informações confidenciais da empresa antes de ter criado a Otto (adquirida pela Uber em 2016 por 680 milhões de dólares).

A Waymo alega que os mais recentes avanços da tecnologia da Uber em carros autónomos se devem ao roubo do seu projeto, acrescentando ainda que para chegar onde chegou foram precisos sete anos e muito investimento financeiro.

Uber acusada de roubar tecnologia usada em carros sem condutor da Google