O caminho que não era fácil acabou de ficar ainda pior para Theresa May. Quase em simultâneo, a primeira-ministra britânica acaba de ser confrontada com novas condições de Bruxelas para a saída do Reino Unido da União Europeia — a Comissão Europeia quer estender a liberdade de circulação até à saída efetiva — e com a pressão da Noruega para que não sejam garantidas condições “especiais” a Londres na negociação de acordos comerciais.

O jornal The Guardian teve acesso a um documento em que são resumidas as condições que Michel Barnier defende para o período de transição — depois de o país deixar a União e até que todos os acordos entre o Reino Unidos e a União Europeia tenham sido renegociados.

O homem que a Comissão Europeia lançou para coordenar as negociações do Brexit defende que Londres deve manter as portas abertas à livre circulação de pessoas até ao fim das negociações. Mas quer mais: nos acordos que venham a ser preparados sobre o direito dos cidadãos estrangeiros, depois da saída, o Reino Unido terá de aceitar a integração de quem entrar no seu território até 31 de dezembro de 2020 (um ano e meio depois da saída efetiva e a data em que as negociações do pós-Brexit terão de estar concluídas).

May, recorde-se, queria bloquear essa entrada a partir de 29 de março do ano passado — quando foi acionado o artigo 50 do Tratado da União Europeia que iniciou o processo de saída do Reino Unido da UE.

Neste momento, e numa fase em que ainda se discutem os termos a aplicar durante o período de transição, os prazos estão a escorregar. A expetativa de Londres era a de que esses termos estivessem definidos até março, mas Bruxelas já assume que esse trabalho só deverá estar concluído até “à primeira metade do ano — se não houver dificuldades substanciais” pelo caminho, diz fonte europeia ao diário britânico.

Oslo é a outra pedra no sapato de May. O The Guardian escreve que, já por diversas vezes, os responsáveis noruegueses deixaram claro a Bruxelas que estão atentos às negociações. Se as autoridades europeias concederem condições “especiais” a Londres, a Noruega – que está em Schengen, mas que não tem voz nas decisões da UE — poderá avançar para uma renegociação da sua relação com o grupo dos (futuros) 27.

Uma das preocupações do país prende-se com as quotas de pesca. Oslo teme que Londres ganhe margem para exigir mais folga nas quantidades de peixe que os barcos noruegueses apanham, e, por arrasto, Bruxelas também receia que a Noruega suba a parada das exigências neste dossier. “[Os noruegueses] estão a seguir este assunto de muito perto para garantir que não damos ao Reino Unido um acordo muito mais favorável”, escreve o Guardian citando fontes oficiais europeias.