China

Maior travessia sobre o mar do mundo vai ligar Hong Kong a Macau

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A Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau é, apesar do que indica o nome, mais do que uma ponte: a travessia que une as pontas do Delta é constituída ainda por um túnel submarino e ilhas artificiais.

Hong Kong–Zhuhai–Macau Bridge

55 quilómetros de comprimento, 400 mil toneladas de metal e 16 mil milhões de euros: são estes os números que melhor descrevem a grandiosidade daquela que será a maior travessia sobre o mar do mundo. A construção vai ligar Hong Kong, Zhuhai e Macau, no Delta do Rio das Pérolas, região que conta ainda com as cidades de Guangzhou e Shenzen — uma espécie de Sillicon Valley chinês — e onde, ao todo, vivem cerca de 60 milhões de pessoas.

A travessia sobre o Mar da China meridional, onde desagua o Rio das Pérolas, é constituída por três pontes suspensas, um túnel submarino e duas ilhas artificiais. O objetivo é impulsionar a economia da região, que é responsável por 9,1% do PIB chinês e por 26% das exportações.

A construção vai permitir ligar as três cidades em 45 minutos, algo que demora agora entre 60 a 70 minutos de ferry e entre três a quatro horas de carro. A ponte, que está em construção desde 2009 e deveria ter sido inaugurada em 2016, deve ficar pronta ainda em 2018.

Os números da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau são estrondosos, mas os escândalos e problemas que a acompanham também. Sobre a obra pairam atrasos na construção, problemas técnicos e ambientais e cerca de 300 acidentes laborais, que resultaram em dez vítimas mortais e 600 feridos, escreve o El País.

A ponte esteve também no centro de um escândalo de corrupção que acabou com a detenção de 21 subcontratados acusados de falsificar provas da resistência do betão usado na ponte a troco de dinheiro.

Há também quem questione o impacto ambiental da obra na fauna local, nomeadamente do boto (golfinho) cor-de-rosa, uma espécie que já está em risco de desaparecer das águas chinesas.

A somar a tudo isto estão os sobrecustos, que parecem não ter fim. Já em janeiro foi anunciado um gasto extra de 600 milhões de euros na construção da parte central da ponte, o qual será repartido entre os governos da China, de Hong Kong e de Macau.

Se por um lado a ponte está a ser promovida como um elo de ligação entre a China continental, Macau e Hong Kong, e um meio de aumentar o desenvolvimento económico da região, por outro há quem diga que o projeto é, acima de tudo, político e que pode resultar numa perda de identidade das regiões autónomas. Nathan Law, político e ativista de Hong Kong e um dos líderes da Revolução dos Guarda-chuvas, afirma que a obra “é um projeto político que procura a integração de Hong Kong na China continental, algo que debilitará a singularidade e habilidade de desenvolvimento independente.”

Os mesmos que colocam em causa as razões para a construção da ponte também se questionam se os astronómicos 16 mil milhões de euros não poderiam ter sido investidos em educação, saúde ou na habitação, sendo esta última um grande problema de Hong Kong, que é a cidade com o preço de solo mais alto do mundo.

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