Um português, de 35 anos, que tinha trabalhado como modelo, tornou-se sem-abrigo e morreu ao frio numa das estações de metro mais próximas do Parlamento britânico, onde costumava pedir ajuda. Alguns membros do Partido Trabalhista ajudavam-no diariamente e estão a dar ao caso uma dimensão nacional. Para o partido liderado por Jeremy Corbyn — que fez questão de deixar flores e um postal de homenagem no local onde o sem-abrigo costumava pedir ajuda — esta “tragédia” deve servir de alerta para que o Governo trave a crise dos sem-abrigo que o Reino Unido enfrenta.

Sobre este caso, a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas confirmou ao Observador “o falecimento de um cidadão português de 35 anos nascido em Lisboa” e acrescentou ainda que “os serviços consulares portugueses em Londres estão a procurar obter mais elementos sobre este caso e a tentar contactar a família do cidadão falecido.”

De acordo com o Daily Mail o sem-abrigo procurava trabalho com a ajuda de uma instituição de caridade que o acompanhava e, há uma semana, tinha mesmo preenchido um formulário para trabalhar como empregado de mesa.

O caso foi notícia na quarta-feira pelo facto de ter ocorrido às portas do Parlamento e por Jeremy Corbyn ter enviado flores em homenagem ao sem-abrigo. No postal, o líder trabalhista escreveu: “Isto não devia ter acontecido. Como país, temos de parar de fazer de conta que não é nada connosco. Descansa em paz”. O Partido Conservador já acusou Jeremy Corbyn de estar a utilizar a morte de um sem-abrigo para fins políticos.

A associação que ajudava o sem-abrigo, The Connection, revelou, segundo conta o Huffington Post, que estava à procura de um emprego para ajudar o português. O porta-voz da The Connection revelou que, “apesar da circunstância complexa” em que se encontrava, o sem-abrigo “gostava de cantar e frequentava aulas de ioga regularmente”.

Antes de enviar flores, Jeremy Corbyn já tinha escrito no Twitter, assim que soube da notícia, que os poderosos não podem continuar a ser indiferentes enquanto há pessoas que não têm uma casa para onde ir. O líder do Partido Trabalhista lançou um repto: “Chegou a hora de todos os deputados adotarem esse desafio moral e alojarem, adequadamente, todos os cidadãos“.

O português foi encontrado morto no local, mas a polícia não está a tratar o caso como um possível homicídio. Vários passageiros do metro ainda terão tentado manobras de reanimação junto do sem-abrigo, mas sem êxito.

A ministra britânica que tutela a área da habitação, Heather Wheeleer, também ficou chocada com a morte e o seu porta-voz disse que o ministério se compromete a reduzir para metade o número de sem-abrigo até 2022 e erradicar os sem-abrigo até 2027. Para isso, o Governo vai investir mais de mil milhões de euros em programas ambiciosos, que incluem a atribuição de habitações aos sem-abrigo.

Dados oficiais citados pelo Huffington Post mostram que o número de sem-abrigo tem crescido por todo o Reino Unido. Só em Londres, desde 2016, houve um aumento em 18% do número de sem-abrigo (de 964 para 1.137).