Na banca de investimento do Barclays, as mulheres recebem menos do que os homens, cerca de metade (48%), segundo avança a Bloomberg. Na unidade internacional, a disparidade salarial pode atingir os 79% quando são adicionados prémios aos salários. Na área de retalho para o mercado inglês, as mulheres ganham 26% menos do que os homens e recebem prémios inferiores em 60%.

Os dados foram revelados pelo banco britânico num relatório anual. O Barclays foi um dos primeiros bancos a divulgar informação relativa às diferenças salariais entre colaboradores, uma exigência do Governo de Theresa May que fez da paridade salarial uma prioridade.

Apesar destes resultados, o presidente do banco, Jes Staley, disse aos jornalistas que confia que homens e mulheres são pagos de forma igualitária quando desempenham o mesmo trabalho.

“Quero deixar claro que o Barclays está a fazer a sua parte na longa evolução para assegurar igualdade de género salarial. Não vamos dar metas absolutas, mas queremos reduzir esta diferença”.

A disparidade salarial no banco britânico é exacerbada pelo número desproporcionado de homens em posições de chefia onde os salários, e sobretudo os prémios, são mais altos. O banco emprega quase 80 mil pessoas a nível mundial, dos quais 44% são mulheres. Mas dos 555 dirigentes seniores,  menos de um terço são mulheres. E só existe uma na equipa de nove membros de administração executiva. Laura Padovani é a responsável pela área de compliance.

Para o deputado Nicky Morgan, responsável pela comissão de tesouro do Parlamento, esta diferença salarial é “chocante”. O responsável lembra que o banco assinou a carta para as mulheres no mundo financeiro que compromete os signatários a apoiar a progressão de mulheres a cargos de chefia nos serviços financeiros. E sublinha: “Uma maneira de reduzir o gap salarial é aumentar a proporção de mulheres em cargos de liderança, portanto parece que o Barclays está no caminho certo.”

O Barclays esteve em Portugal até 2015 quando vendeu as suas operações de retalho ao espanhol Bankinter.

Até agora, menos de 1.200 empresas divulgaram as novas informações exigidas por lei num universo de 9000 companhias que são elegíveis, de acordo com estimativas do Governo. Bancos como o HSBC, o Goldman Sachs, o JP Morgan, ainda não o fizeram.