Uma investigação conjunta do jornal britânico The Guardian e da associação de defesa das crianças Save the Children verificou que as empresas que vendem leite adaptado para bebés usam métodos agressivos e, muitas vezes, ilegais para chegarem às famílias mais carenciadas. A investigação foi conduzida nas Filipinas e noticiada esta terça-feira no jornal. Já este mês a Changing Markets Foundation tinha denunciado as más práticas da empresa Nestlé, também no jornal The Guardian.

As empresas Nestlé, Abbott, Mead Johnson e Wyeth (agora detida pela Nestlé) foram descritas como uma presença constante nos hospitais onde oferecem folhetos às mães com alegada informação de saúde. Os folhetos são promotores do consumo das fórmulas infantis e até têm cupões para incentivar a compra. Além disso, as empresas fazem lobby junto dos médicos e parteiras, pagando viagens a conferências e outros programas de lazer para que eles possam recomendar estes produtos às jovens mães.

Apenas 34% das mães filipinas amamentam os filhos em exclusivo até aos seis meses. No México, a percentagem é ainda menor — 31% —, com 50% das mães a dizer que os médicos lhe recomendaram leite adaptado.

São as mães mais carenciadas, e com menos conhecimentos, que parecem ser o alvo destas campanhas. Algumas destas campanhas mostram que a fórmula infantil é tão boa como o leite materno, outras chegam mesmo a dizer que são melhores para a criança. Estas alegações de saúde foram proibidas pela Organização Mundial de Súde.

As mães filipinas admitiram deixar de comer para poderem comprar o leite em pó para os filhos ou dar-lhes apenas metade da dose recomendada por não terem capacidade para comprar tantas embalagens de leite todos os meses.