O ex-primeiro-ministro italiano e candidato do Partido Democrático às eleições de domingo demitiu-se depois de não conseguir mais do que 18,7% dos votos na Câmara dos Deputado e 19,1% no Senado. Porém, o anúncio de demissão conteve uma cláusula inesperada: a demissão só será consumada quando (e se) os partidos e o Presidente da República chegarem a acordo para formar o próximo governo.

“Deixo a liderança do partido porque é preciso começar uma nova etapa”, disse em conferência de imprensa, esta segunda-feira. No entanto acrescentou: “Isto terá efeito quando terminar a a fase de instalação do novo parlamento e a formação do novo governo”.

O gesto de Matteo Renzi surge numa altura em que dentro do Partido Democrático já há quem considere uma aliança pós-eleitoral com o Movimento 5 Estrelas, que com 32,7% dos votos para a Câmara dos Deputados e 32,2% no Senado é agora o maior partido de Itália. A ala afeta a Matteo Renzi, que foi primeiro-ministro entre 2014 e 2016, opõe-se a uma coligação com o partido de Luigi Di Maio, que precisa de chegar a entendimentos com outros partidos para subir ao governo.

O anúncio ambíguo de Matteo Renzi, que pode passar por uma estratégia para tentar ganhar tempo, já está a ser criticado dentro do seu próprio partido. “Quando [Walter] Veltroni e [Pier Luigi] Bersani se demitiram, fizeram-no e, pronto, no minuto seguinte já não eram secretário-geral”, disse o senador do Partido Democrático, Luigi Zanda, referindo-se a dois anteriores líderes do centro-esquerda.

Porta-voz já tinha negado demissão

A notícia da demissão foi anunciada horas antes da conferência de imprensa de Matteo Renzi, pela agência ANSA. Porém, o porta-voz de Matteo Renzi acabou por desmentir a notícia, com um post no Twitter. Apesar disto, horas depois, o anúncio era mesmo feito — mas de forma ambígua. Tudo isto levou

O ex-primeiro-ministro italiano apresentou a demissão. “Está na hora de começar uma nova etapa”, disse esta tarde Matteo Renzi, horas depois de a agência ANSA ter avançado esse cenário, que ainda chegou a ser negado pelo porta-voz do chefe do Partido Democrático.

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