A sociedade Camacho & Nunes, especializada em atividades de cobranças e avaliação de créditos, requereu em fevereiro a insolvência da Sporting SAD no seguimento de uma dívida de 511 mil euros, numa ação interposta no Tribunal de Comércio de Lisboa. Por sua vez, os leões irão apresentar uma queixa-crime contra a Camacho & Nunes, além de uma participação junto da Ordem dos Advogados sobre o sucedido.

A notícia do pedido de insolvência foi avançada este sábado pelo Correio da Manhã (conteúdo fechado). Segundo a publicação, a ação em causa deu entrada a 19 de fevereiro deste ano, estando relacionada com uma alegada dívida dos verde e brancos a uma empresa que prestou serviços logísticos em Alvalade relacionados com bilhética, entre outros, e que já vem de 2012, numa altura em que Godinho Lopes era presidente e Paulo Pereira Cristóvão tinha o pelouro das infraestruturas como vice-presidente do Conselho Diretivo.

Nessa altura, segundo explicou fonte próxima do processo ao Observador, a empresa acabou por reconhecer que não existia qualquer dívida da Sporting SAD. No entanto, esse montante acabou por ser cedido a crédito à Camacho & Nunes por um valor muito inferior aos tais 511 mil euros, ficando ainda assim a sociedade com o risco de tentar posteriormente recuperar esse montante total da alegada dívida, como é normal nestes casos.

Ainda segundo o Correio da Manhã, a Camacho & Nunes terá tentado contactar, sem sucesso, responsáveis verde e brancos, avançando então com a ação e mostrando-se apostada em ir até às últimas consequências legais para tentar recuperar o valor total em causa. Da parte dos leões, existe a convicção de que não há qualquer dívida para saldar (como terá ficado assente em 2012), além de nunca ter chegado a Alvalade qualquer notificação sobre o processo. Por isso, a SAD do Sporting vai avançar com uma queixa-crime contra o advogado da Camacho & Nunes, que esteve também envolvido na primeira ação, bem como uma participação na Ordem.

Paulo Pereira Cristóvão, antigo vice-presidente do Sporting, confirma também que o Sporting não tem qualquer dívida com a empresa mas deu uma versão diferente dos factos num comunicado enviado ao jornal Record.

“Logo após ter tomado posse como vice-presidente, em março de 2011, fui confrontado com uma situação, que segundo me foi informado na altura, se arrastaria desde há vários anos, que consistia num sistema de remuneração aos funcionários do Sporting que prestavam serviço em dia de jogo sendo este tipo de serviço, à data, considerado estranhamente, ‘extraordinário’. Tal remuneração usaria uma empresa veículo cuja prática de imediato se afigurou irregular nos procedimentos e ilegal na forma de processamento (…) Reuni, juntamente com o departamento jurídico do clube, com a empresa que funcionava como veículo para tais pagamentos e, dando-lhes conta do que estava em causa com tal forma de actuação, e também porque não havia com a mesma qualquer vínculo contratual ou obrigação legal, foram os mesmos de imediato dispensados de qualquer colaboração com o Sporting. Tal foi comunicado presencialmente aos legais representantes da empresa e ao seu advogado e por estes aceite. Daqui se conclui que não ocorreram quaisquer ‘serviços’ da dita empresa enquanto estive em funções. Muito pelo contrário. Os seus ‘serviços’ cessaram com a minha chegada às funções que tutelavam aquela área”, explicou.

Notícia atualizada com o comunicado de Paulo Pereira Cristóvão às 18h45 de dia 17 de março