A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) disse que o Governo e a administração da Infraestruturas de Portugal (IP) “fugiram” a um acordo e mantém a greve agendada para segunda-feira.

“Decorreu, [no sábado], no Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, uma reunião com os representantes do Governo, da IP e sindicatos, finda a qual o Governo e a administração fugiram à possibilidade de se ter encontrado uma solução que evitasse a greve da próxima segunda-feira”, disse, em comunicado, a federação afeta à CGTP.

Conforme indica a Fectrans, após várias propostas e contrapropostas de aumentos, ficou acordada uma valorização salarial de “20 euros durante 11 meses e 25 euros no último mês, sendo este valor a integrar a tabela salarial em janeiro próximo, mas pago durante 14 meses”.

Porém, “ao passar ao papel a discussão que estava efetuada, fomos confrontados com uma proposta de redação pouco clara, nomeadamente, não se assumia sem sombra de dúvidas o valor de 25 euros a transitar para a tabela, não se assegurava a garantia de aplicação do futuro Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) aos trabalhadores com vínculos à função pública , por fim, para compensar os trabalhadores da diferença, propuseram que estes passassem a ter mais uma dispensa, mas com perda e renumeração, o que neste ponto se tornou inaceitável”, garantiu a Fectrans.

Desta forma, a estrutura sindical garante que se mantém a greve agendada para o dia 02 de abril (segunda-feira), à qual acresce um protesto junto à sede da IP no Pragal, em Almada.

“O Governo e a administração estão a montar um serviço antigreve, mas iludir a opinião pública quanto à elevada adesão dos trabalhadores. Neste momento, para além da luta pelo aumento salarial para todos, esta luta também tem que ser pela defesa da dignidade dos trabalhadores da IP, que estão a ser maltratados pelo Governo e pela administração”, concluiu.

Na quinta-feira, a CP – Comboios de Portugal admitiu “fortes perturbações” na circulação ferroviária na próxima segunda-feira, devido à greve dos trabalhadores da IP, para a qual não foram assegurados serviços mínimos e não serão disponibilizados transportes alternativos.

“Por motivo de greve convocada por diversas organizações sindicais da IP (gestor da infraestrutura ferroviária), a CP informa que se preveem supressões em todos os serviços no dia 02 de abril”, afirma a empresa num comunicado.

A CP afirma que “não serão disponibilizados transportes alternativos” e recorda que não foram definidos serviços mínimos pelo tribunal arbitral.

Já no sábado, a Fertagus disse que a greve da IP deverá perturbar fortemente a circulação de comboios.

“A Fertagus informa que a greve deverá ter impacto na gestão da circulação, perturbando fortemente a circulação de comboios”, disse, em comunicado, a empresa.

A empresa ferroviária indicou ainda que, pelo facto de não terem sido decretados serviços mínimos, “não são conhecidos os horários que poderão ser realizados”, alertando que, no limite, pode não circular nenhum comboio.