Oceano Atlântico

Circulação da água do Atlântico está a diminuir, alerta estudo

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Se a circulação global das massas de água oceânicas continuar a enfraquecer poderá perturbar os padrões climáticos dos Estados Unidos à Europa e ao norte de África e causar subida do nível das águas.

NIC BOTHMA/EPA

A circulação global do oceano Atlântico está a diminuir desde meados do século XIX e está atualmente na intensidade mais baixa dos últimos 1.600 anos, revela um estudo divulgado esta quarta-feira.

O estudo, da responsabilidade da University College London (UCL, uma universidade pública inglesa) e do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, um centro de investigação dos Estados Unidos, indica que se a circulação global das massas de água oceânicas continuar a enfraquecer poderá perturbar os padrões climáticos dos Estados Unidos à Europa e ao norte de África, e causar uma mais rápida subida do nível da água do mar.

A circulação do oceano Atlântico tem um papel muito importante na regulação do clima global. O sistema de circulação envia água quente e salgada da Corrente do Golfo (começa no golfo do México, segue ao longo da costa leste dos Estados Unidos e atravessa o Atlântico até à Europa) para o Atlântico Norte, onde liberta calor para a atmosfera e tempera o clima da Europa Ocidental. Depois de arrefecer ao chegar às regiões árticas e de tornar mais densa a água desce então a grandes profundidades e viaja até à Antártida e eventualmente volta depois à Corrente do Golfo.

Outros estudos indicam que a corrente quente se começa a deslocar para norte desde a zona do Brasil e segue junto à costa até à região de Nova Iorque, quando vira para leste em direção à Islândia e Noruega. Aí, transformada em corrente fria, desce até à zona da Antártida.

“O nosso estudo fornece a primeira análise abrangente dos depósitos de sedimentos no oceano, demonstrando que esse enfraquecimento das correntes do Atlântico começou perto do final da chamada Pequena Idade do Gelo, um período de séculos com mais frio que durou até 1850”, disse Delia Oppo, cientista do Instituto Oceanográfico e coautora do estudo, que será publicado na quinta-feira na revista Nature.

David Thornalley, da UCL e autor principal do estudo, defende que quando o Atlântico Norte começou a aquecer, perto do fim da Pequena Idade do Gelo, a água doce resultante da fusão de gelo polar interrompeu o sistema, chamado de Circulação Meridional do Atlântico. O gelo do mar Ártico começou a derreter, formando uma enorme torneira natural de água doce no Atlântico Norte, que tornou a água do mar à superfície mais leve e menos capaz de descer às profundezas, desacelerando a circulação global.

Examinando o tamanho das partículas de sedimento depositadas pelas correntes (quanto maiores mais fortes as correntes), e reconstruindo as temperaturas oceânicas à superfície em regiões afetadas pela circulação, os investigadores concluíram que a corrente enfraqueceu entre 15% e 20% nos últimos 150 anos, disse Thornalley.

Outro estudo, publicado na mesma edição da Nature, indica que a corrente oceânica global começou a enfraquecer mais rapidamente desde 1950 como resultado do aquecimento global.

Há dois anos o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, organização criada no âmbito das Nações Unidas, já alertava que a circulação da massa de água que leva o calor do Atlântico Sul para o Atlântico Norte pode diminuir quase para metade (44%) ainda neste século, com consequências dramáticas para o litoral dos continentes banhados pelo Atlântico.

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