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A carta de 2015 em que se lia que Donald Trump seria “o indivíduo mais saudável alguma vez eleito” não foi escrita pelo antigo médico do presidente norte-americano, mas sim ditada pelo próprio Trump. “Ele ditou toda a carta. Eu não escrevi aquela carta”, disse o médico Harold Bornstein, que assinou a carta há cerca de três anos, à CNN.

Em dezembro de 2015, Trump prometeu, através do Twitter, que iria pedir ao seu “médico de longa data” para fazer um “relatório médico completo” que iria mostrar “perfeição” relativamente à sua saúde, depois de alegações relativamente ao excesso de consumo de fast-food e pouca prática exercício físico.

Dias depois, surge a carta de Bornstein: “Se eleito, posso dizer inequivocamente que Trump será o indivíduo mais saudável alguma vez eleito para a presidência”, lia-se no documento divulgado em finais de 2015.

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Logo na altura o documento provocou alguma polémica por ser vaga e apresentar poucos dados, como relata o New York Times. Por exemplo, a carta dizia que o magnata tinha perdido “pelo menos sete quilos” no último ano, sem referir quanto pesava antes e depois dessa perda de peso. O mesmo se passou com a medicação para o colesterol: a carta referia ainda que os únicos medicamentos que Trump tomava diariamente eram uma aspirina e estatina para baixar o colesterol, mas não indicava quais os valores de colesterol antes e depois de tomar a medicação.

O documento assinado por Bornstein dizia ainda que os resultados das análises de Trump eram “surpreendentemente excelentes”, que a sua força física e resistência eram “extraordinárias” e que não havia registo de qualquer doença oncológica ou cirurgia, à exceção de uma apendicectomia (cirurgia para remover o apêndice) que realizou aos 10 anos.

Tenho a sorte de ter sido abençoado com ótimos genes”, afirmou Trump, na altura, através do Facebook. A Casa Branca ainda não reagiu à declarações do médico.

Bornstein avançou ainda à NBC que o seu consultório foi alvo de um “raide” por parte do guarda-costas e do advogado do presidente norte-americano, Keith Schiller e Alan Garten, e de um terceiro homem que não reconheceu, e que estes levaram os registos médicos de Trump.

“Senti-me violado, assustado e triste”, disse Bornstein à NBC. “Eles devem ter estado cá durante 25 ou 30 minutos. Criou muito caos.”

O incidente terá ocorrido a 3 de fevereiro de 2017, pouco depois de o New York Times ter divulgado um relatório do médico, onde constava que tinha receitado a Trump um medicamento para a queda de cabelo. “Não queria acreditar que alguém estivesse a fazer uma cena tão grande por causa de um medicamento para fazer o cabelo crescer”, afirmou o médico.

A porta-voz da Casa Branca explicou que não se tratou de um “raide” e que tomar posse dos registos médicos é um “procedimento normal para um novo presidente”. “Aqueles registos estavam a ser transferidos para a unidade médica da Casa Branca”, acrescentou Sarah Huckabee Sanders.