Videojogos

Conan Exiles: uma polémica nunca vem só

Jogos de sobrevivência online existem às “resmas”, uns mais acabados e bem sucedidos do que outros. Conan Exiles é um deles, mas tenta fazer algo diferente e tem decisões polémicas que incluem nudez.

Conan Exiles leva-nos para o mundo do famoso bárbaro cimério criado por Robert E. Howard.

Autor
  • Rubber Chicken

Conan Exiles é um jogo de sobrevivência cuja versão final foi lançada recentemente, depois de ter estado mais de um ano em Early Access (versão inacabada do jogo que é disponibilizada aos jogadores e que permite aos programadores fazerem testes e correções, dependendo dos comentários e opiniões de quem joga). Tal como outros jogos semelhantes, o objetivo principal é o de sobreviver. Para isso, é necessário recolher recursos suficientes para construir ferramentas e roupas, abrigos e armas para caçar ou defesa pessoal.

O conceito é simples, mas a execução pode ser muito complexa. Conan Exiles é um sandbox game, dá-nos um mundo aberto cheio de recursos para explorar e perigos que dão ainda mais valor às recompensas que conseguimos. Cada jogo de sobrevivência tem um cenário particular. Enquanto a grande maioria se passa em mundos apocalípticos cheios de zombies, outros escolhem estranhos mundos novos, sejam eles de inspiração pré-histórica recheada de dinossauros ou, como o caso em questão, a época ficcional Hibórea, criada pelo escritor Robert E. Howard.

Conan, o Bárbaro, já está próximo dos 100 anos de existência e, apesar de a maioria das pessoas o conhecer apenas do filme interpretado por Arnold Schwarzenegger, a sua mitologia é rica em conteúdo graças às décadas de livros pulp e bandas-desenhadas centradas neste personagem. A Funcom, empresa criadora do jogo, aproveitou uma boa parte do mundo, da história e mitologia para encher a base do jogo e torná-lo mais interessante do que os concorrentes. Além de apoiar nitidamente o visual do jogo na obra de Frank Frazetta, aproveitou para utilizar o resto como fonte de inspiração, sem abusar dela. As religiões e mitologias deste mundo têm uma importância enorme para as origens dos personagens, dando-nos opções consideráveis de criação, incluindo a nudez total, que podia chocar alguns, mas que é algo comum no universo do mais famoso Cimério do mundo.

Conan aparece apenas na introdução do jogo, quando salva o nosso personagem, que está crucificado num deserto como punição pelos vários crimes que cometeu. A frase do bárbaro, que nos dá liberdade e uma nova oportunidade de vida — “De onde venho, matamos os nossos inimigos. Não os deixamos à mercê dos elementos” — marca a natureza imperdoável do jogo. Tudo aqui pode matar-nos: sejam outros jogadores (se escolhermos um ambiente online Player versus Player), personagens e animais controlados pelo jogo ou elementos naturais, como tempestades de areia. Contudo, com engenho, paciência e alguma sorte, às vezes, vamos avançando no jogo, tornando o nosso personagem cada vez mais resistente, assim como as nossas construções, de pequenas cabanas a castelos, cidades sob o nosso comando. Nesta parte, encontramos a mais polémica opção de Conan Exiles: os escravos, ou Thralls como são chamados no jogo.

Para quem já jogou outros jogos de sobrevivência, como DayZ, Ark ou até Minecraft, sabe que a estrutura é simples. Escolhemos um tipo de servidor que permita ou não confronto direto entre jogadores (Conan Exiles também permite jogo a solo ou cooperativo local e online) e construímos coisas. Quantas mais coisas construímos, melhores as nossas hipóteses de sobreviver ao jogo e aos nossos adversários. Independentemente da opção de poder ser atacado por outros jogadores, regra geral, construimos e trabalhamos tudo sozinhos. Eventualmente, podemos aliar-nos a outros jogadores juntando-nos ou criando um clã, mas até chegar a esse ponto tudo é fruto do nosso trabalho solitário.

Conan Exiles permite uma outra opção, a da captura de personagens de jogo que podem ser vergados à nossa vontade na Roda da Dor, tornando-os nossos servo, que podemos comandar para fazer certas ações. Enquanto os mais fracos são generalistas e pouco proficientes nas suas funções, níveis mais avançados poderão dar escravos especializados, logo melhores na suas tarefas. Esta introdução da escravatura no jogo tem sido mais criticada do que podermos optar por nudez total e personalização do tamanho dos genitais do nosso personagem quando o criamos. Contudo, olhando para a génese inspiradora do jogo, são ambos temas comuns, ou não fosse a cena do pequeno Conan andando em volta da roda com os outros escravos até ser adulto das mais míticas do filme. Apesar destes elementos poderem ferir algumas suscetibilidades, são ambos opcionais, uma por definição no início do jogo e outra por ação, porque o jogo tem mais conteúdo do que apenas a sobrevivência e construção. Há masmorras para explorar, personagens para conhecer, e alguma história para aprender.

Conan Exiles é mais um survival game. É um bom jogo do género com aspetos únicos, apesar de polémicos. Infelizmente, aparece num mercado saturado deste género, mesmo que a sua qualidade seja maior do que grande parte dos títulos que estão por aí. Indicado para jogar sozinho ou com amigos, mas rapidamente se percebe na componente online que grande parte da massa crítica que dava “corpo” às populações virtuais de jogadores destes jogos já migrou para outros géneros.. Tivesse sido lançado há três anos, quando o mercado de MMORPGs ainda estava em alta e teria dominado o mundo virtual como um certo escravo cimério que acabou, um dia, por tornar-se rei.

Conan Exiles está disponível nas lojas para PC, PS4 e Xbox One por 39,99€.

João Machado, Rubber Chicken

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