A atriz francesa Emmanuelle Seigner, casada com Roman Polanski desde 1989, disse, em entrevista ao El País, que estar casada com o produtor polaco “assusta os outros diretores, homens em particular“, razão pela qual tem trabalhado mais com mulheres. A atriz fala sobre a vida pessoal e profissional, mas nada diz sobre os escândalos em que o marido está envolvido.

Casados desde 1989, a atriz e o produtor têm dois filhos em comum. Sobre o escândalo de abuso sexual que persegue o marido há vários anos, Seigner não se pronuncia, alegando que é a vida pessoal do seu companheiro.

Roman Polanski e Emmanuelle Seigner durante o Festival de Cinema de Cannes, em 2017.

No filme “A Partir de uma História Verdadeira” — o último que os juntou — Seigner interpreta, pela primeira vez, o papel de vítima que se centra numa relação obsessiva entre duas mulheres. “É um papel muito diferente para mim de tudo aquilo que tenho feito, mas de alguma forma gostei de ser a vítima. Não sei porquê, mas gostei”, confessou durante a apresentação do filme em Cannes.

Queríamos voltar a trabalhar juntos e aconteceu de forma muito natural e rápida”, disse ao El País, acrescentando: “Era perfeito para ele porque são os seus temas e ele é muito bom com personagens femininas e a trabalhar com atrizes…e para ele também foi a primeira vez que trabalhou com duas protagonistas femininas”.

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A atriz disse que não é por trabalhar com o marido que tenta agradá-lo mais nas rodagens dos filmes: “O mesmo acontece com qualquer outro diretor. Não quero dececioná-lo, quero fazer bem o meu trabalho, quiçá melhor que com outros, sim, mas porque sou exigente comigo mesma, não porque quero agradá-lo“.

Confessou ainda que adora “trabalhar com o Roman porque é um grande diretor” e que sabe sempre que o resultado vai ser bom, pelo que nunca levam “trabalho para casa”. Nem mesmo agora, que a filha mais velha de ambos começou a representar.

Quando Seigner e Polanski se casaram, já o produtor arrastava consigo a acusação de violação de uma menor de 13 anos. O caso persegue o produtor desde então e foi reavivado pelo movimento #MeToo, que surgiu depois das denúncias de várias figuras importantes da indústria do cinema.

Roman Polanski, a condenação eterna e o #MeToo

Apesar de, anos depois, ter admitido que teve relações sexuais com a menor, Samantha Geimer — que disse em entrevista à BBC que o perdoou –, Polanski foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos no mês passado, uma decisão que os seus advogados classificaram como “maltrato psíquico”.

Numa declaração polémica feita recentemente, a atriz reforçou a sua visão sobre o movimento #MeToo e as denúncias das vítimas. “Reduzir eternamente as mulheres ao papel de vítima significa tratá-las como débeis. Por outro lado, as mulheres podem defender-se, mesmo aos 14 anos, como eu fiz “. Sobre a sua perspetiva contou o episódio que passou com Godard no primeiro filme em que participou: “No primeiro dia de filmagem, ele pediu-me que tirasse o meu sutiã e eu disse sim. No segundo dia ele disse-me para tirar a roupa e eu disse que não, e saí.”