Imagens de satélite do principal complexo nuclear da Coreia do Norte, que alberga o reator de Yongbyon, demonstram que o regime norte-coreano estará a desenvolver a infraestrutura rapidamente, apesar do acordo com os Estados Unidos para a completa desnuclearização da península, de acordo com uma análise de três especialistas para o 38 North, um grupo que monitoriza a Coreia do Norte.

Os especialistas usam imagens de satélite captadas a 21 de junho para revelar que foram feitas modificações no complexo nuclear, que incluem um novo sistema secundário para arrefecer o reator da principal central nuclear norte-coreana – usado como modelo para a construção de um reator na Síria com apoio técnico da Coreia do Norte, reator que foi destruído por Israel em 2007 pouco antes de entrar em funcionamento –, e novas instalações cujo objetivo ainda é desconhecido.

De acordo com os mesmos especialistas, estas melhorias já estariam planeadas e não terão qualquer relação com o acordo entre Kim Jong-un e Donald Trump, na cimeira de Singapura a 12 de junho. Segundo os mesmos, as imagens de satélites mostram uma expansão do complexo e uma descarga de água do reator, que é usada para o arrefecer quando está em funcionamento, mas não mostram indícios de que o reator esteja ativamente a produzir plutónio, o que pode ser explicado tanto pela falta de resolução das imagens de satélite, como pela altura do ano.

O governo sul-coreano não confirmou os desenvolvimentos, mas diz que está a acompanhar de perto a situação.

O reator de Yongbyon foi o primeiro reator norte-coreano com capacidade para produzir plutónio para uso em armas nucleares. No acordo assinado a 12 de junho foi estipulada apenas uma promessa de trabalhar no caminho da completa desnuclearização da península da Coreia, sem estipular obrigações concretas para a Coreia do Norte sobre os passos que deve tomar para cumprir esta promessa.