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O que pode acontecer a Lisboa? Esta exposição quer mostrar o futuro

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"Futuros de Lisboa" quer por-nos a pensar sobre o que está por vir na cidade, o que pode acontecer. A exposição é inaugurada esta quinta-feira no Torreão Poente, na Praça do Comércio.

O Saldanha do futuro, numa fotografia de Luísa Ferreira, trabalhada por Inês Lino e José Piteira

Autor
  • Catarina Gonçalves Pereira
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Talvez o nível das águas do Tejo suba e apareça uma praia no Rossio. Ou talvez a cidade fique repleta de arranha-céus. Pode até acontecer que Lisboa seja assolada por um terramoto semelhante ao que aconteceu em 1755. Haverá Aliens? Não se sabe. Tudo está em aberto nos “Futuros de Lisboa”, uma exposição que nos leva a revisitar o passado, pensando sempre na incógnita que é o futuro. Estaremos preparados para fazer face às alterações que se adivinham? Como será efetivamente a cidade do futuro? As respostas são múltiplas e o que se pretende é mostrar as mais variadas hipóteses.

É no Torreão Poente da Praça do Comércio — onde antes do terramoto de Lisboa se situavam os Paços da Ribeira, mandados construir por D. Manuel I no princípio do século XVI para residência oficial dos reis de Portugal –, que se inicia uma viagem ao futuro, tendo sempre em mente o passado — relembrado pela arquitetura do edifício, mas também pela localização junto ao rio, que carrega anos de história — e o presente. Uma viagem que propõe “várias perspetivas de reflexão, de questionamento, de interpelação”, de acordo com a diretora do Museu de Lisboa, Joana Sousa Monteiro, razão pela qual é sempre “uma exposição de futuros, no plural, e nunca no singular”.

Ao longo de 10 salas de exposições não se apresentam cenários concretos de futuro: “Brincamos um bocadinho com algumas possibilidades, mas, o que queremos, sobretudo é interpelar o público para que cada um construa as suas próprias visões”, explicou um dos comissários da exposição, o geógrafo João Seixas, que afirma que ali não se propõem “utopias nem distopias”, mas apela-se sim à imaginação e ao questionamento. À sua visão juntam-se também as do arquiteto Manuel Graça Dias e da engenheira Sofia Guedes Vaz.

O passado e o presente. Como era e como é Lisboa.

E porque o futuro se faz com o contributo de todos, o Museu de Lisboa não quis deixar de fora a comunidade. Os cidadãos têm uma sala dedicada às suas contribuições, depois de terem sido convidados a imaginar os futuros da cidade. Chegaram cerca de 160 propostas — e, na verdade, continuam a chegar –, das quais foram selecionadas 50, entre textos (frases e contos), imagens (trabalhadas digitalmente ou não), desenhos feitos por crianças das escolas públicas lisboetas e ainda uma peça jornalística feita por alunos da Universidade Lusófona.

A exposição, que se estende ao longo dos dois pisos do edifício, surge numa altura em que se vivem tempos de grande mudança e em que são precisas “visões de futuro” relativamente às mais variadas áreas. Por isso, há excertos de ensaios que foram escritos por vários pessoas especializadas em temas tão distintos como são as neurociências, cidadania, política, ecologia, mobilidade, psicologia, saúde pública ou habitação.

Uma das primeiras salas é dedicada ao futuro das crianças de escolas de Lisboa, que nos dão a conhecer as profissões que gostariam de um dia vir a ter (e que vão muito para lá dos futebolistas, astronautas e bailarinas do passado). Agora, eles querem ser paraquedistas, eletricistas, artistas, surfistas, pasteleiros e inventores.

A exposição propõe diferentes visões para o que pode vir a mudar na cidade de Lisboa

No espaço ao lado, pode revisitar-se a Lisboa de há 100 anos ao observar fotografias do Arquivo Municipal, que retratam as mais variadas áreas: desde as eleições, à participação da mulher na sociedade, à saúde, ao desporto e ao comércio. Ali, o visitante depara-se com um exercício: imaginar como será Lisboa daqui a outros 100 anos, isto é, a Lisboa de 2118. “A ideia é criar uma dinâmica de tempo. Tudo está em movimento, até a própria ideia de futuro”, explica João Seixas.

E porque o futuro começa agora, há um espaço dedicado a objetos que já estão a ser testados (e alguns já mesmo a ser utilizados), na área da tecnologia e da inovação — aqui numa parceria com o Instituto Superior Técnico e com o Instituto de Sistemas e Robótica. Estes objetos, reforça Joana Sousa Monteiro, podem ter “uma relevância na melhoria da qualidade de vida futura”. É o caso de uma parede técnica — uma estrutura que está preparada com todos os cabos e tubagem necessários para instalar uma casa-de-banho ou uma cozinha de forma simples e a baixo custo — cujo objetivo é “permitir a autoconstrução a baixos custos” para famílias com menos possibilidades económicas.

Fotomontagem do Rossio do futuro pensada pelos três comissários da exposição e  trabalhada por Inês Lino e José Piteira. 

Sendo esta uma exposição sobre o futuro, é-o também sobre o presente. “Não temos adivinhações nem bruxarias. O que procurámos foi uma reflexão múltipla, embora às vezes até contraditória”, afirma Joana Sousa Monteiro. E é aqui que entra a visão hiperrealista dos três comissários, que escolheram 10 espaços de Lisboa e imaginaram que alterações podem vir a sofrer. “Há uma especulação sobre aquilo em que se poderá vir a transformar a cidade de Lisboa”, diz João Seixas, acrescentando que as fotomontagens mostram “o que provavelmente vai mudar e o que não pode mudar”. Segundo as suas perspetivas, o Rossio, por exemplo, não se vai alterar muito em termos urbanísticos e arquitetónicos, mas poderá haver turistas (ainda mais) a passear com água pelos tornozelos ou até mesmo uma praia.

Tudo isto acontece no piso superior do Torreão Poente. Na parte de baixo, podem ser contemplados os “16 pilares da cidade de Lisboa”, entre os quais se encontram o “Mar Atlântico”, o “Clima Mediterrâneo”, a “Cultura árabe/judaico/cristã” ou a “Língua Portuguesa e a lusofonia”, e os “24 direitos da cidade”. João Seixas descreve-os como sendo “a nova Casa dos 24”, fazendo uma alusão à Casa dos 24 de Lisboa, que foi criada em 1383 por D. João e Mestre de Avis, e que esconde uma “mensagem política relevante: a importância da boa governação da cidade”. “O futuro não se pode prever, mas pode preparar-se” e é isso que esta exposição pretende: dar início a uma preparação dos cidadãos para enfrentarem as alterações que se adivinham.

A exposição “Futuros de Lisboa” está no Torreão Poente da Praça do Comércio, de 13 de julho (abertura ao público, inauguração esta quinta-feira, dia 12) até 18 de novembro; das 10h às 18h. Mais informações aqui.

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