O número de mortos no sismo ocorrido este domingo na ilha turística de Lombok, no sudeste da Indonésia, subiu para 13, segundo um novo balanço das autoridades locais, que dão conta de centenas de feridos e milhares de edifícios desmoronados. O primeiro balanço apontava para pelo menos dez mortos, sendo expectável que o número continue a subir nas próximas horas.

“Treze pessoas morreram, centenas ficaram feridas e milhares de casas foram danificadas no terremoto. Ainda estamos a reunir informações”, afirma o porta-voz da Agência de Gestão de Desastres indonésia, Supoto Purwo Nugroho, em comunicado. Há 162 feridos e 67 foram hospitalizados em estado grave.

O sismo de magnitude 6,4, que já teve 124 réplicas, também afetou as ilhas vizinhas de Bali, a oeste de Lombok e que é também o principal destino turístico do país, e Sumbawa, onde alguns edifícios desmoronaram. O seu epicentro foi 50 quilómetros a nordeste da cidade de Mataram.

Dez pessoas, uma delas da nacionalidade malaia e a restantes indonésias, morreram na região oriental de Lombok, e as outras três em Sumbawa, na orla norte da ilha.

O sismo foi sentido durante cerca de dez segundos na ilha de Lombok e causou o pânico entre os moradores, que abandonaram as suas casas ao início da manhã.

Num comunicado, o chefe da Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica, Dwikorita Karnawati, apelou à população que se mantenha alerta devido às réplicas do sismo, que já vão em 124, apesar de a sua intensidade estar a diminuir.

Por sua vez, o porta-voz da Cruz Vermelha para Lombok, Aulia Arriani, disse à agência espanhola Efe que as pessoas estão “com medo de permanecer no exterior” dos edifícios, sublinhando que a sua organização vai enviar cobertores, lonas impermeáveis, sacos de dormir e pacotes de ajuda para as famílias afetadas.

A agência francesa AFP adianta que “este poderoso terremoto provocou cenas de pânico, com pessoas a fugir de suas casas e ocupantes de hotéis a correr para fora” dos edifícios.

Já o jornal britânico Guardian, conta que fortes choques foram sentidos por turistas que se encontravam em Senggigi, a porta de entrada para os populares resorts das Ilhas Gili.

“Saltámos para fora de nossas camas para evitar que qualquer coisa caísse em cima das nossas cabeças”, disse Jean-Paul Volckaert, que foi acordado pelo sismo no hotel Puncak. “Ficámos muito surpreendidos porque a água das piscinas estava tão agitada como um mar selvagem. Até houve ondas, mas apenas durante uns 20 a 30 segundos”, contou.

Na parte mais afetada da ilha Lombok, em Sembalun, a eletricidade foi cortada. Esta é uma zona pouco povoada, onde há muitos campos de arroz espalhados pelas encostas do Monte Rinjani, do lado norte da ilha. Segundo a Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica, o sismo provocou um deslizamento de terras no Monte Rinjani, o que levou ao encerramento do trilho de Rinjani, muito popular entre turistas para fazer caminhadas.

E é exatamente naquela zona que centenas de alpinistas estão a ser evacuados do parque nacional de Rinjani, de onde as autoridades já conseguiram escoltar 115 pessoas em segurança. “As necessidades mais prementes agora são pessoal médico, macas, equipamentos de saúde, produtos para crianças e alimentos”, disse Sutopo Purwo Nugroho.

O arquipélago da Indonésia, com 17 508 ilhas, das quais cerca de 6000 são habitadas, situa-se no chamado Anel de Fogo, uma zona do globo de elevada atividade sísmica e vulcânica. Nesta área, localizada no norte do Oceano Pacífico, há muitos registos de terramotos e a atividade vulcânica é intensa.

O Anel de Fogo do Pacífico tem a forma de uma ferradura e 40 mil quilómetros de extensão, desde o extremo da América do Sul até à Nova Zelândia, sendo constituído por cordilheiras de montanhas, fossas oceânicas e arcos de ilhas vulcânicas. Calcula-se que os processos tectónicos que dão origem ao Anel de Fogo sejam responsáveis pela maioria dos terramotos registados no planeta. O que mesmo acontece com tsunamis.

Em dezembro de 2004, um sismo de magnitude 9,1, registado ao largo da ilha de Samatra, desencadeou um ‘tsunami’ que matou 230 mil pessoas em mais de dez países.