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José Dias Ferreira apresentava em linhas gerais os motivos que o levam a avançar de novo com uma candidatura à presidência do Sporting sem estar propriamente a ler um discurso mas sim a dissecar alguns dos principais pontos do projeto que irá apresentar quando mudou o tom da intervenção. Engrossou a voz, gesticulou muito mais, falou de forma mais espontânea. Motivo? As frases que às vezes se retiram do contexto, neste caso uma em específico onde dizia que sofria… pelo Benfica.

Dias Ferreira oficializa candidatura à presidência do Sporting, que já tem quatro nomes na corrida

Expliquemos: na véspera da apresentação oficial do Café In, em Lisboa, o advogado tinha dado uma entrevista a cada um dos três jornais desportivos e num deles, a certa altura, confessava que tinha algumas pessoas que torciam pelo rival na família, numa ideia que terá tentado passar mas que saiu de forma enviesada. E esse acabou por ser o dínamo para abordar não só esse tema em específico mas também um dos grandes pontos da sua candidatura: a luta pela verdade desportiva.

“Dizerem que sofro pelo Benfica parece mesmo uma anedota, neste caso negra. Quem me conhece há 40 anos… Sempre disse que respeito as instituições, todas as instituições, mas que tinha em devida conta quem as representa. E se disse que sofro por essas pessoas que são do Benfica, algumas delas da minha família, é porque eles andam envergonhados com o que se passa no clube deles! Serei sempre a favor da verdade desportiva, contra a mentira e a corrupção. E mais: posso dizer que pedi para ser assistente a título pessoal no primeiro processo de todos, o dos vouchers. Comigo no Sporting ninguém brinca sem levar o devido troco. E havemos de resolver os problemas dos emails, das toupeiras, do Bruma. É preciso descaramento ainda agora virem fazer perguntas sobre os clubes das pessoas da Federação, da Liga, dos Conselhos… Que moral têm para isso? Comigo, o Sporting não vai continuar a ser marginalizado e estará sempre representado por mim nas reuniões”, atirou.

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Antes, e num dia onde curiosamente se cumpriam 46 anos desde que se tinha inscrito na Ordem dos Advogados, o antigo vice de João Rocha e presidente da Mesa da Assembleia Geral com José Eduardo Bettencourt, que foi candidato no sufrágio de 2011 onde ficou pelos 16,5% num ato que considerou sempre ter sido demasiado bipolarizado de início entre Godinho Lopes e Bruno de Carvalho, reforçara que “o momento não está para grandes discursos mas sim para ações”.

“Consegui praticamente toda a equipa que queria, com pessoas que não precisam do Sporting nem para viver nem para sobreviver, que querem apenas servir o clube. Em 2011, foram as eleições para anunciar jogadores, treinadores e alternativas mas estas surgem como as eleições onde os principais reforços são as pessoas e nisso sei que escolhi o melhor, fazendo também uma lista que faz uma certa transição geracional, com pessoas mais novas ou mais experientes comigo na liderança”, destacou, prosseguindo: “O Sporting é dos sócios e a SAD também é, porque a SAD é apenas um braço, o tronco e os membros são o clube. Com a reestruturação financeira existirá alguma tranquilidade e o Sporting vai ter meios para ser grande”.

Foi neste particular que o advogado revelou uma das principais ideias diferenciadoras em relação às restantes sete (ou nove, caso Bruno de Carvalho e Carlos Vieira venham a ser de novo aceites na corrida) candidaturas: mantendo a Academia em Alcochete, mais para a ala profissional e para rentabilização com equipas de outros países que se deslocam a Portugal muitas vezes para períodos de estágios de preparação, Dias Ferreira espera, assim que as condições financeiras o permitam, construir uma nova Academia mais vocacionada para a formação e mais perto de Lisboa, assim como uma Academia para as modalidades. Em paralelo, o líder da lista “Somos todos Sporting” admite passar todas as equipas que estão debaixo da égide da Federação Portuguesa de Futebol, casos do futsal ou do futebol feminino, para dentro da SAD.

“As eleições em 2011 foram antecipadas por outras razões, nesta altura é uma espécie de fechar de página onde o passado deve ser apenas recordado para não se cair nos mesmos erros e onde se deve partir para um novo futuro. Serão as eleições para arrumar a casa e espero ganhar para, em 2022, poder passar o testemunho com o sentimento de missão cumprida”, salientou na fase de perguntas e respostas aos jornalistas, ao mesmo tempo que garantiu José Peseiro como treinador e reforçou respeitar as decisões da Comissão de Fiscalização em relação aos processos dos ex-dirigentes Bruno de Carvalho e Carlos Vieira.

A Mesa do Sporting, por um ex-presidente, um presidente demissionário, uma presidente de transição e um não presidente

No final, foram também apresentados alguns dos nomes que estarão nas listas do advogado: Braz da Silva, que chegou mesmo a anunciar a vontade de ir a votos nas eleições de 2011 (acabou depois por desistir dessa corrida) e que ficará como vice para as Relações Internacionais e Academias; Luís Natário, antigo secretário da Mesa da Assembleia Geral que chegou a ser apontado à SAD e que ficará com a pasta do futebol; Jorge Sanches, ex-vogal do Conselho Diretivo de Bruno de Carvalho que se demitiu em maio e que chefiará as modalidades; e Ricardo da Silva Oliveira, responsável pelo governance e gestão. Nos outros órgãos sociais, Miguel Esperança Pina, advogado e fundador da Associação Portuguesa de Arbitragem, será o candidato à Mesa da Assembleia Geral, ao passo que Sérgio Lopes Cintra, também advogado, será o número 1 do Conselho Fiscal e Disciplinar.