No passado domingo, a Seleção Nacional Sub-19 sagrou-se campeã europeia, depois de ter conquistado o Campeonato da Europa de Sub-17, há dois anos. Neste feito inédito para qualquer geração, encontramos onze caras que fizeram parte dos eleitos de Hélio Sousa em ambos os títulos e figuras de destaque no grupo português que, agora, de regresso aos seus clubes, procurarão encontrar o seu espaço nas equipas principais. Enquanto via os companheiros com quem conquistou o título de Sub-17 partirem para a Finlândia – entre os quais, o parceiro de longa duração no eixo da defesa, Diogo Queirós –, Diogo Leite ficava no Olival, às ordens de Sérgio Conceição, a cumprir a pré-época com a equipa principal do FC Porto. A escolha foi do técnico azul e branco, o central de 19 anos aproveitou-a e colheu este sábado o primeiro fruto daquele que pode vir a ser um longo pomar de conquistas de dragão ao peito: Diogo Leite cumpriu os 90 minutos na vitória dos campeões nacionais sobre o Desp. Aves por 3-1 e conquistou o seu primeiro título sénior na estreia oficial pelo FC Porto. 

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A ascensão de Diogo Leite é fácil de explicar e enquadra-se naquela máxima em que o talento e a preparação encontram a oportunidade e desse cruzamento surge o sucesso. Comecemos pelo fim: desde a apresentação dos dragões frente ao Newcastle, no passado sábado, que se tinha percebido qual a opção de Sérgio Conceição para o eixo da defesa. O empate a zero era o último jogo antes da estreia em Aveiro e Diogo Leite fez toda a partida, assistindo ainda à saída de Filipe, aos 77 minutos. Antes, já tinha feito os 90 minutos frente a Everton e Lille, mostrando ser aposta segura do técnico azul e branco. Um dia depois de praticamente garantir a estreia oficial pelo FC Porto na Supertaça com uma exibição segura frente à formação inglesa onde ajudou a manter a baliza dos dragões em branco, Diogo Leite via os seus companheiros e amigos festejarem na Finlândia, depois de baterem a Itália por 4-3, num jogo de loucos. O central de 1,88 metros vibrou com a conquista e felicitou os jovens campeões europeus, ao mesmo tempo que uma ideia começava a ganhar forma: Diogo Leite abdicara de um título único para assegurar um lugar de sonho.

E assim o assumiria, um dia mais tarde, em declarações ao site oficial do FC Porto, por ocasião da sua renovação de contrato, até 2023. “Tinha este objetivo, este sonho desde criança. Poder estar aqui a lutar por um lugar na equipa principal do FC Porto foi muito bom. Mas claro que também fiquei contente pela conquista do Europeu, foi como se tivesse estado lá com eles”, explicou o jovem central, que viu a cláusula de rescisão aumentada de 15 para 40 milhões de euros, perante o aparente assédio de alguns tubarões ingleses que viam no defesa uma aposta de futuro. Quanto a Sérgio Conceição, parece contar com Diogo Leite já para o presente, algo que, depois de uma década na formação portista, é um sonho concretizado para o jovem central: “Estou no FC Porto há 10 anos e isto para mim é o culminar de um ciclo na formação. Vemos jogadores como Vítor Baía, Jorge Costa, João Pinto, Fernando Gomes, Fernando Couto, jogadores que saíram da formação como eu e que conquistaram muitos títulos. Também há jovens que olham para mim e que querem chegar onde eu estou agora, como eu olhava para esses nomes de que falei. Para mim é um sentimento de grande felicidade e também de grande responsabilidade”, assume.

Depois de um ano no Leixões, Diogo Leite foi para a formação do FC Porto e por lá ficou. Sempre presença assídua em todos os escalões por onde passou, foi-se assumindo no eixo da defesa azul e branca como o central canhoto que tanta falta faz a uma equipa. Talvez por isso a escolha de Sérgio Conceição tenha recaído sobre Leite e não Queirós (capitão da Seleção Nacional no Europeu Sub-19), já que a dupla Diogo foi crescendo junta ao longo dos anos. A temporada passada foi de afimação para o novo estreante do Dragão, com 39 jogos e dois golos marcados entre a equipa B portista e os juniores, jogando em quatro competições: Segunda Divisão portuguesa, campeonato nacional de juniores, UEFA Youth League e Premier League International, conquistada pelo FC Porto.

Diogo Leite apontou o primeiro golo da vitória do FC Porto frente ao Tottenham nos quartos da UEFA Youth League mas o mesmo acabou por ser atribuído ao médio inglês Oliver Skipp (Getty Images)

Depois de no verão de 2016 se ter sagrado campeão europeu Sub-17, chegou em maio deste ano à Seleção Nacional Sub-21, treinada por Rui Jorge. Aí, falou de Bruno Alves e de Pepe como maiores referências, dois centrais atualmente na Seleção Nacional A e que passaram alguns anos da carreira de dragão ao peito. A lista de grande defesas centrais na equipa do Dragão é, aliás, longa e antiga. Diogo Leite é apenas o mais recente herdeiro de uma linhagem que conta com nomes como Fernando Couto, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Ricardo Costa ou Bruno Alves, todos internacionais portugueses (o único que se mantém é Bruno Alves), todos grandes figuras do FC Porto. Apenas Fernando Couto (18) se estreou mais jovem do que Diogo Leite na equipa principal dos dragões, com Jorge Costa, Ricardo Carvalho e Ricardo Costa a estrearem-se aos 21, enquanto Bruno Alves teve de esperar pelos 24.

Na equipa principal do FC Porto, continuará a envergar o número 4 na camisola, aquele que o acompanhou ao longo da formação. O mesmo que pertenceu a nomes como Ricardo Carvalho, Pedro Emanuel ou Aloísio. O jovem central admite o peso da escolha, mas promete estar à altura do historial. “É uma grande responsabilidade, é um número de que sempre gostei desde criança e sempre usei. Sei que é um número mítico e para mim é uma grande responsabilidade. Tudo farei para vestir bem esta camisola”, afirmou aquando da renovação.

E o início não podia ser melhor com a estreia oficial a trazer consigo o primeiro título de dragão ao peito. Aos 19 anos, Diogo Leite abdicou de um Europeu pelo lugar com o qual sempre sonhou. Para o manter, terá de continuar a convencer Sérgio Conceição, com o qual partilha o “espírito” e a “exigência” características do Dragão. “Estamos a falar de um miúdo que tem perto de uma década no FC Porto e sabe bem o que é o espírito e a exigência desta casa. Em termos de qualidade também é inegável”, afirmou o técnico na antevisão ao embate com o Desp. Aves. Para já, parece estar a conseguir e exibições como a da Supertaça só podem ajudar.