Sempre que um construtor tem de renovar um modelo icónico, por essa geração ter chegado ao fim do seu tempo de vida útil, existe um período em que os suores frios se juntam a um certo aperto no coração, em tudo o que é técnicos e estilistas da marca. E assim com a Volkswagen, sempre que tem de “mexer” no Golf, e também com a Porsche, quando é o 911 o tema da conversa. Tudo porque a estratégia passa por conceber um veículo que respeite a tradição, ou seja, que agrade aos clientes habituais, mas que ao mesmo tempo seja suficientemente inovador para aliciar novos compradores.

Ao contrário do que acontecia no passado, hoje o 911 já não representa tanto em termos de vendas para a marca alemã, agora demasiado concentrada nos SUV. Mas continua a ser o seu modelo mais emblemático, assim sendo desde que surgiu a primeira geração, em 1963. Hoje, numa altura em que prepara a 8ª geração – que tudo indica que será revelada publicamente no Salão de Paris, em Outubro –, é incontornável mencionar o que se pode esperar do desportivo e, mais do que isso, mostrar que aspecto irá assumir.

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Se estava à espera de um 911 com dois lugares traseiros onde caibam miúdos com mais de 10 anos esqueça, pois ainda não é desta. A Porsche quer manter o 911 como um coupé curto, para ser leve e ágil, pelo que os lugares atrás são secundários, isto nas versões em que existem. Também se estava a contar que seria desta que a marca alemã iria colocar a mecânica no sítio certo – como sempre fez nos Cayman e Boxster –, ou seja, deixar de a “pendurar” atrás do eixo posterior, com os consequentes desequilíbrios nas transferências de massas, tire daí o juízo, pois o 911 vai continuar a montar motores de seis cilindros parcialmente atrás do eixo traseiro.

A estética do novo 911-992 está mais clean, montando os faróis em posição ainda mais inclinada, para que pareçam circulares vistos de frente. Há mais umas nervuras aqui, uns vincos acolá, mas a verdade é que neste capítulo o 911 respeita os seus antecessores, tanto nas versões normais – ler menos potentes –, respectivamente Carrera, Carrera S e GTS, como nos mais potentes Turbo e Turbo S. Estes montam aquilo que parece ser uma asa móvel e activa, para ajudar a manter aquela traseira, sempre delicada, sob algum controlo.

A maior novidade surge na traseira, onde os farolins são mais esguios, mas surgem ligados por um elemento horizontal, sendo uma adaptação da solução já vista nos Panamera, Cayenne e Macan ao 911. Também por dentro há alterações, uma vez que o painel de instrumentos mantém o velocímetro ao centro, mas depois tudo o resto é digital, para passar uma série de informações ao condutor, sem que este tenha de afastar a atenção daquilo que é importante. E depois de esta tecnologia estar disponível nos Volkswagen Polo e Seat Ibiza, era impensável o 911 não acompanhar a onda.

Os motores do 911, versão 992, vão recorrer sempre a soluções sobrealimentadas, todas elas dotadas com filtros de partículas, devido à necessidade de cumprir com a norma Euro 6d-TEMP do WLTP. A base continuará a ser o 3.0 de seis cilindros opostos que debitava 370 cv no Carrera, 420 cv no Carrera S e 450 cv no GTS, sendo expectável um ligeiro incremento de potência em cada um deles.

A versão Turbo e Turbo S continuarão a dominar a gama do 911-992, mantendo o 3.8 Boxer, que até aqui fornecia 540 cv na versão normal e 580 cv no Turbo S. O único 911 atmosférico continuará a ser o GT3, enquanto o 911 RSR será aquele que monta o motor em posição correcta, ou seja, central traseiro. Pena que a Porsche apenas recorra a esta colocação em competição, onde necessita de ser eficaz e não a ofereça aos clientes, que agradeceriam ao ser submetidos a menos sustos e, por vezes, algo mais do que isso.

Depois de ter afirmado durante algum tempo que o novo 911 não iria ser electrificado, a Porsche voltou atrás (felizmente) e admitiu estar já a desenvolver um 992 híbrido plug-in, baseado no sistema que monta no Panamera Turbo S E-Hybrid. As baterias deverão condenar o espaço na “malinha” lá à frente e/ou nos bancos atrás, com o 911 híbrido a ser esperado em 2023.