Holanda

Avenida Beyoncé. Ativistas dão novos nomes às ruas holandesas

219

Depois de descobrirem que 88% das ruas têm nomes de homens, o grupo de ativistas dos direitos das mulheres DeBovengradse decidiu renomear (não oficialmente) as ruas holandesas.

O grupo de ativistas dos direitos das mulheres DeBovengradse (“acima do solo”) decidiu renomear (não oficialmente) as ruas holandesas. As feministas estão a afixar placas de identificação das ruas com nomes mulheres que se destacaram nas áreas das artes, ciência, ativismo e política.

A iniciativa #meervrouwopstraat (“#MaisMulheresNasRuas”) surgiu na sequência de um estudo promovido pelo jornal The Correspondent, que concluiu que 88% das ruas que homenageiam pessoas nas grandes cidades holandesas — Amesterdão, Groningen e Utrecht — têm nome de homens.

A primeira parte da iniciativa decorreu em Amesterdão. As ativistas selecionaram 12 mulheres — uma referência simbólica aos 12% das ruas que já têm nomes de mulheres —  para figurarem nas primeiras placas afixadas. Entre as escolhidas estavam Ada Lovelace (que elaborou o primeiro algoritmo), Suze Groeneweg (a primeira mulher deputada na Holanda), Mien van Bree (campeã mundial de ciclismo) e Beyoncé (que o grupo considera que “tornou o feminismo e a situação dos afro-americanos num assunto explicito no seu trabalho”).

As ativistas defendem que os nomes das ruas são um “símbolo da ordem política” que detém um “grande poder simbólico”. “Os nomes das ruas dão uma visão geral de quem a sociedade decide homenagear, e por isso é tempo de mudar estas relações”, pode ler-se no site da iniciativa.

Na mesma plataforma o grupo garante que a intenção não é promover atos de vandalismo. “Não vai ser nunca a nossa intenção danificar a propriedade de outras pessoas. Acrescentamos de facto alguma coisa ao espaço publico nesta ação. Mas fazemo-lo de uma forma que é facilmente reversível”.

O movimento pretende que a iniciativa seja alargada a outras cidades, como Roterdão, Utrecht e Groningen. O objetivo é alertar as pessoas para as desigualdades de género que, neste caso, se refletem nos nomes dados às ruas. “Acreditamos que a mudança começa na tomada de consciência”, explicam no site. “Diz-se sempre que é lógico que existam tantas ruas com nomes de homens porque a hostória é escrita por homens, mas também existiram mulheres importantes”, disse Santi van den Toorn, uma das fundadoras do movimento, em declarações ao diário holandês Het Parool. “Os nomes das ruas são apenas uma parte de um problema maior, mas toda a gente vive em ruas, portanto toda a gente percebe isto.”

Em Portugal, estima-se que cerca de 14,7% das ruas que homenageiam pessoas tenham o nome de mulheres. As contas foram feitas pelo jornal Público, que refere que a maioria dos nomes são referências a figuras religiosas (santas, nossas senhoras, irmãs e madres).

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)