Literatura

Morreu o prémio Nobel da Literatura V.S. Naipaul

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O escritor britânico V.S. Naipaul morreu aos 85 anos em Londres. O autor ganhou o prémio Nobel da Literatura em 2001. "Foi um gigante em tudo o que alcançou", recorda a mulher.

ANDRÉ MARQUES / OBSERVADOR

O escritor britânico V.S. Naipaul morreu aos 85 anos em Londres. A informação foi dada pela família, em comunicado. “Ele foi um gigante em tudo o que alcançou e morreu rodeado daqueles que amava, depois de ter vivido uma vida cheia de criatividade maravilhosa e de esforço”, declarou a sua mulher, Nadira Naipaul.

Vidiadhar Surajprasad Naipaul nasceu em Chaguanas, na ilha de Trinidade e Tobago, em 1932. Filho de um jornalista de origem indiana, acabaria por mudar-se para o Reino Unido aos 18 anos, depois de lhe ter sido atribuída uma bolsa de estudo numa instituição à escolha dentro da Commonwealth. Naipaul escolheu Oxford, local onde acabaria por sofrer de um esgotamento nervoso.

Escreveu o seu primeiro romance quando era ainda estudante universitário, mas nunca conseguiu publicar essa obra. Acabaria, contudo, por escrever mais de 30 obras ao longo de 50 décadas e de acumular inúmeros prémios. São dele títulos tão conhecidos como “A Curva do Rio”, talvez a sua obra mais aclamada, ou “Uma Casa para Mr. Biswas”, este último baseado na vida do seu pai.

Muitas das suas obras abordam a vida nas antigas colónias britânicas, traçando retratos que nem sempre reuniram consenso. Naipaul, como resumiu em tempos o professor de literatura Edward Said citado pelo Telegraph, era “um grande romancista e uma testemunha importante da desintegração e hipocrisia do terceiro mundo. No mundo pós-colonial, ele é um homem marcado como um fornecedor de estereótipos e de nojo pelo mundo que o produziu — e no entanto isso não impede as pessoas de acharem que ele é um escritor dotado”, disse.

Já o jornal The Guardian escreve que os retratos pouco lisonjeiros que criou das Caraíbas, Índia e África, bem como da fé islâmica, despertaram hostilidade, mas também aclamação. Os críticos acusaram-no de nas suas obras manifestar algum desprezo pelos povos dos países em desenvolvimento, mas reconheceram a qualidade da sua prosa.

O seu romance “Num Estado Livre” foi galardoado com o Prémio Booker em 1971. Em 1989, Naipaul foi ordenado cavaleiro pela Rainha de Inglaterra. Doze anos depois, ser-lhe-ia atribuído o prémio Nobel da Literatura, com a Academia a destacar a sua capacidade de unir “narrativa percetível com escrutínio incorruptível”, em obras que “nos forçam a ver a presença das histórias suprimidas”.

V.S. — iniciais para Vidiadhar Surajprasad — Naipaul foi um dos finalistas para a edição “de ouro” do Man Booker com a obra com Num Estado Livre, mas o galardão acabou por ser dado a outro autor.

O autor nunca receou a polémica, comparando o que descreveu como “efeito calamitoso” do Islão ao colonialismo em 2001. Também sugeriu que conseguia perceber apenas a partir de um ou dois parágrafos se uma obra tinha sido escrita por uma mulher. Alimentou uma disputa com o escritor Paul Theroux durante 15 anos que só ficou resolvida com a intervenção de outro autor famoso, Ian McEwan..”

A sua reputação foi abalada quando confessou à revista New Yorker em 1994 que tinha sido um “grande prostituto” durante o seu casamento com Patricia Hale. E depois em 2008 quando admitiu ao seu biógrafo ter tido um longo caso com Margaret Gooding com quem terá sido “bastante violento” a nível psicológico, o que terá contribuído para a morte desta. Várias das suas obras foram adaptadas ao cinema como o Mystic Masseur, o primeiro livro que publicou em 1957.

V.S. Naipaul esteve em Portugal em 2016, no festival literário de Óbidos. Nesse evento, onde o Observador esteve presente, o autor britânico falou abertamente sobre o seu processo de escrita e sobre a dificuldade do seu trabalho. “Não consigo dizer-te o quão difícil foi — foi tão difícil — no início escrever uma página. E se falar sobre isso desta forma casual, estou a ser injusto — injusto em relação ao meu trabalho, em relação a encontrar a minha própria voz”, disse ao entrevistador, José Mário Silva. “Não sei o que te dizer mais sobre isto. O que fiz, fiz a partir do instinto. Queria escrever um livro, e isso é um desejo importante.”

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