África

Angola acolhe mini-cimeira regional para reforçar “soluções africanas para problemas africanos”

Luanda acolhe na terça-feira uma mini-cimeira com os Presidentes de Angola, Congo, Gabão, Ruanda e Uganda para analisar a situação política na África Central e Austral.

Manuel Almeida/LUSA

Luanda acolhe na terça-feira uma mini-cimeira com os Presidentes de Angola, Congo, Gabão, Ruanda e Uganda para analisar a situação política na África Central e Austral, com especial atenção à República Democrática do Congo (RDCongo).

Fonte oficial disse esta segunda-feira à agência Lusa que estão confirmadas as presenças dos chefes de Estado congolês, Denis Sassou Nguesso, gabonês, Ali Bongo, ruandês, Paul Kagamé, e ugandês, Yoweri Museveni, bem como da RDCongo, Joseph Kabila, e do Presidente da Comissão da União Africana (UA), o chadiano Moussa Faki Mahama.

A reunião de Luanda antecede em três dias a cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que decorrerá em Windhoek (Namíbia), durante a qual está prevista uma discussão e concertação política sobre os projetos de paz e estabilidade nas duas regiões africanas.

A 10 deste mês, o ministro das Relações Exteriores angolano, Manuel Augusto, indicou que a situação da RDCongo será um dos temas fortes a abordar na reunião, em que se pretende também privilegiar a procura de “soluções africanas para os problemas africanos” nas discussões, que envolvem também as crises políticas e militares no Sudão do Sul, Sudão, República Centro Africana e Lesoto. Sobre a RDCongo, o chefe da diplomacia angolana saudou a decisão de o chefe de Estado congolês se abster de se apresentar a um terceiro mandato, constitucionalmente proibido, nas eleições de 23 de dezembro próximo, salientando a “evolução positiva” em curso no país vizinho.

Por outro lado, Manuel Augusto manifestou a preocupação de Angola, na qualidade de presidente do Órgão de Defesa e Segurança da SADC, com a situação político-militar da República Centro-Africana (RCA), país em que “não existe estabilidade” desde o afastamento do poder, em 2013, do então Presidente, François Bozizé, pelas milícias Seleka, que pretendiam defender a minoria muçulmana, desencadeando uma contra-ofensiva dos anti-Balaka, maioritariamente cristãos.

Outra das “grandes preocupações” é a situação no Lesoto, “país ilha” no centro leste da África do Sul, onde a violência política e militar está a tornar-se frequente, com a onda de assassinatos que não está a poupar ninguém, nem mesmo dois antigos chefes do Estado Maior General das Forças Armadas locais.

A oposição parlamentar angolana recebeu com agrado a decisão do Presidente de Angola, João Lourenço, de promover a mini-cimeira, realçando a importância que se reveste para alcançar a estabilidade política e militar nas regiões austral e central de África. Quer a União Nacional para a Independência de Angola (UNITA, maior força da oposição), como a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) já assumiram publicamente a necessidade de concertação política nas duas regiões.

O secretário para as Relações Exteriores da UNITA, Alcides Sakala, defendeu a estabilidade da região da SADC, aguardando que a reunião de Luanda possa ajudar a pacificar a vizinha RDCongo e a garantir a realização de eleições livres no país, bem como a resolução dos conflitos ainda existentes. O vice-presidente da CASA-CE, Lindo Tito, pronunciou-se no mesmo tom, tendo apelado a uma maior intervenção da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) nos esforços de estabilidade regional, de forma a garantir-se a livre circulação de pessoas e bens e o consequente desenvolvimento económico. Também o secretário para a informação e porta-voz da FNLA, Jerónimo Makana, se manifestou esperançado de que a reunião de Luanda possa “convencer” Kabila a não interferir nas presidenciais congolesas.

Aguarda-se que, esta tarde, o programa da reunião seja divulgado oficialmente.

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