Multibanco

Falha do Multibanco: dos problemas ao humor, passando pelo fiado

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Bombas de gasolina só com pré-pagamento, utentes de farmácias que saíram sem os produtos, clientes de restaurante que ficaram de pagar hoje. Como o país lidou com cerca de hora e meia sem Multibanco.

À falta de Multibanco, a solução foi pagar em dinheiro ou ir embora sem o produto

MÁRIO CRUZ/LUSA

O que fizeram os clientes que já estavam a jantar num dos restaurantes Portugália este domingo à noite, quando chegou a hora e pagar a conta e o Multibanco não funcionou? Os que não tinham notas ou moedas ficaram com poucas alternativas. Restou-lhes tentar transferir o valor para a conta bancária da Portugália.

O Grupo Portugália Restauração confirmou ao Observador que a falha dos pagamentos por Multibanco teve “um impacto imediato e muito negativo na operação dos restaurantes, atrasando o momento de pagamento por parte dos clientes, principalmente quando os mesmos não tinham dinheiro para pagar e era impossível efetuar levantamentos”.

“Os clientes que tinham acesso à conta bancária no telemóvel procederam ao pagamento através de transferência” no próprio restaurante, indica a Portugália. Para os clientes que não tinham dinheiro, nem acesso à conta bancária pelo telemóvel, a Portugália espera que os clientes façam transferência esta segunda-feira.

Quem ainda não tinha começado a jantar enfrentou grandes dificuldades. “Estamos há 45 minutos à procura de um sítio para jantar sem dinheiro físico.” Eram 22h29, quando Pedro Figueiredo publicava o seu desabafo no Twitter. A falha no sistema Multibanco afetou toda a rede nacional este domingo, não só os pagamentos por Multibanco, mas também os levantamentos nas caixas automáticas e as transações via MBWay.

Houve quem se fosse questionando sobre o problema e espalhando a notícia nas redes sociais.

Também no Twitter, a rede Multibanco informou, às 23h47, que o problema estaria resolvido. “Foi um questão de âmbito técnico, algo complexa, relacionada com uma avaria de equipamento”, explicou uma fonte da SIBS ao Observador. “As equipas que temos em permanência identificaram imediatamente o problema e começaram a resolvê-lo.”

A justificação deixada pela rede Multibanco foi a existência de “constrangimentos técnicos”, que não convenceu os utilizadores.

Horas depois, ao Observador, a SIBS explicava que os constrangimentos na rede de Multibanco se deveram “a uma falha de um equipamento de hardware.”

O problema afetou estabelecimentos em todo o país, mas o início e a duração foi variável, como confirmou o Observador junto de alguns estabelecimentos. A SIBS, no entanto, confirma que o problema foi detetado às 22 horas e foi resolvido em hora e meia, precisamente. Às 23h30 100% dos terminais Multibanco, para pagamento ou levantamentos, estava a funcionar normalmente.

Outros negócios de restauração também registaram algumas dificuldades, como é o caso do Grupo Jose Avillez, que ao Observador confirmou, via responsável pela comunicação, que houve perturbações na noite do passado domingo. Porém, o mesmo foi “explicado aos clientes” e estes “compreenderam perfeitamente a solução” e acabaram por ir levantar dinheiro, nos (poucos) terminais ATM que estavam em funcionamento.

Na Farmácia Holon do Campo Grande, em Lisboa, o problema foi intermitente: primeiro, durante 20 minutos depois das 22h30, depois, mais 10 minutos depois das 23 horas. Já na estação de serviço da Cepsa, em Coimbra, os problemas começaram durante a tarde, por volta das 16 ou 17 horas, e às 19h30 já estavam resolvidos.

Quando não é possível pagar com Multibanco, a solução é pagar com dinheiro vivo, mas em muitos casos as caixas ATM também não estavam a funcionar. Pelo menos 10 clientes da Farmácia Holon tiveram de ir embora sem os produtos, não tinham dinheiro e na zona as caixa automáticas também não estavam a funcionar.

Na Cepsa de Coimbra, os problemas com a caixa ATM só surgiram mais tarde, pois só falhou depois das 23h30. A bomba funciona sempre em pré-pagamento, logo foi possível avisar os clientes dos problemas antes de abastecerem.

A estação de serviço da BP, na Pedrulha (Coimbra), só pede pré-pagamento depois de fechar as portas, por volta das 22 horas e foi por essa hora que detetaram os problemas com os pagamentos de Multibanco.

A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis diz que a falha no sistema teve pouca importância. “O que aconteceu não foi nada de especial. Não foi muito tempo, nem sequer foi no país todo, foi só em algumas regiões”, disse ao Observador João Santos, vice-presidente da associação.

Se na farmácia é possível deixar ficar os produtos ou nas gasolineiras se pode recorrer ao pré-pagamento, nos restaurantes donos e clientes foram apanhados desprevenidos. Pedro Gracias confessou, no Twitter, que saiu sem pagar. “Não sou ladrão, amanhã vou lá pagar que a refeição até foi boa.”

No atendimento permanente do Hospital da Luz, em Lisboa, os terminais de pagamento e a caixa automática também falharam durante cerca de uma hora depois das 22 horas. “As pessoas não ficaram sem atendimento”, como garantiu fonte do Grupo Luz Saúde ao Observador. O que aconteceu com quem não conseguiu pagar é que ficou com a fatura pendente. Quero isto dizer que o utente leva a fatura para casa e mais tarde recebe uma notificação para efetuar o pagamento. “Foram apenas três ou quatro casos. E não queixas por parte dos utentes.”

Há quem tenha ficado incomodado, chateado ou revoltado com os problemas técnicos da rede, mas não faltou quem encarasse a situação com humor.

No segundo trimestre de 2018, a SIBS tinha 11.720 caixas ATM ativas. Neste período foram feitos 110 milhões de levantamentos e 230 milhões de operações ATM, que correspondem a 7,2 mil milhões euros em levantamentos e 16 mil milhões de euros em operações.

Em 2015, 71% dos pagamentos em loja eram feitos por Multibanco, segundo dados do Banco de Portugal.

Atualizado às 12h30 com informação do Hospital da Luz, em Lisboa.

Atualizado às 13h50 com informação do Grupo Portugália Restauração.

Atualizado às 15h45 com informação da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis

Atualizado às 16h53 com informação do Grupo José Avillez

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