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Comissão de Gestão faz queixa contra Bruno de Carvalho por fraude e usurpação de poderes, ex-líder desmente

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Comissão de Gestão avançou com processo crime contra Bruno de Carvalho por fraude e usurpação de funções, colocando-o sob alçada disciplinar do clube. Ex-líder nega que tenha tentado congelar contas.

Artur Torres Pereira, presidente da Comissão de Gestão, ladeado pelo líder da Mesa, Marta Soares, e o número 1 da SAD, Sousa Cintra

MIGUEL A. LOPES/LUSA

A Comissão de Gestão do Sporting vai avançar com um processo crime contra o antigo presidente do clube, Bruno de Carvalho, por fraude e usurpação de funções, de acordo com comunicado emitido esta segunda-feira. Mas as ações contra o ex-líder não ficarão por aqui e será enviada (mais) uma participação para a Comissão de Fiscalização, órgão que já suspendeu de sócio por um ano o número 1 destituído em Assembleia Geral, no culminar do primeiro processo disciplinar avaliado.

A intenção partiu depois de ser conhecido o pedido por parte do ex-líder verde e branco aos bancos que trabalham com os leões para que bloqueassem as contas e quaisquer outras operações ou transações, por considerar, como manifestou na passada sexta-feira em Alvalade, que é nesta altura ainda presidente do Sporting. A isso acresceria ainda a ameaça de que, se nada fosse feito nesse sentido, poderia partir com mais ações no sentido de assegurar que a sua “legitimidade” era assegurada. Algo que Bruno de Carvalho, assumindo-se como “presidente”, analisa de outra forma, insistindo que não pediu congelamento de contas.

“Foram os membros da Direção em exercício surpreendidos por mais uma grotesca e solene minuta dos comissários de JMS [Jaime Marta Soares], que falando em nome do clube e como se fossem a sua direção em exercício, vêm fazer novo exercício de despudorada desonestidade intelectual, invocando participações por crimes inexistentes. i.e., crimes que não existem na ordem jurídica (crime de “fraude” não existe) ou crimes cuja definição não poderia nunca abarcar como crime o que dispõe o artigo 381, nº3 do Código de Processo Civil (CPC). Trata-se evidentemente de mais uma manifestação maculada pela crassa ignorância, sempre envolvida em frases de minuta, imediatamente suportada por um alarde de conversas de taberna em antenas de televisão onde se procura a lavagem cerebral dos públicos que a isso se submetam. Sublinha-se que nestas deploráveis exibições, das mais grosseiras tiradas, não se inibem sequer de expressar as imaginações delirantes sobre os Tribunais, inclusivamente fazendo-se intérpretes do que os senhores Juízes decidirão”, comentou Bruno de Carvalho em comunicado assinado como “o presidente do Conselho Diretivo do Sporting” enviado esta madrugada.

“Os membros da Direção em exercício por força da suspensão precária determinada pelo artigo 381, nº3 do CPC fizeram e farão o que devem, por mais que em antenas de gente dificilmente qualificável se multipliquem insultos e ameaças. Finalmente, é evidente que ninguém procurou congelar qualquer conta bancária do Sporting. Estas expressões devem-se a grosseira ignorância frequentemente manifestada pelos comissários de JMS (vulgo comissão de gestão) que, manifestamente, não dominam o léxico que usam. Insiste-se: não houve nenhuma tentativa de congelamento de qualquer conta bancária do Sporting ou da Sporting SAD”, concluiu o comunicado do líder destituído do Sporting.

Depois desse pedido, os bancos contactaram o Sporting, neste caso o presidente da Comissão de Gestão, Artur Torres Pereira, dando conta dessa informação que tinha chegado através do advogado de Bruno de Carvalho, o também ex-vogal do Conselho Diretivo Alexandre Godinho. Esse bloqueio de contas e operações nunca chegou a existir mas, somando ainda ao que se passou na última sexta-feira, foi a última gota de água que levou os atuais dirigentes interinos a avançarem com uma queixa para a Justiça, não só pela tal usurpação de funções mas também pelas consequências que as recentes ações comportam para o clube.

“Hoje, numa manifestação de desespero de quem já não respeita nada nem ninguém, o ex-presidente destituído pelos sócios deu uma nova prova da permanente irresponsabilidade com que intervém ilegal e abusivamente na vida do Sporting, lançando a confusão e semeando a divisão no clube. Invocando os mesmos documentos com que na passada sexta-feira ilegalmente pretendeu usurpar funções que comprovadamente não são suas, hoje permitiu-se enviar durante o dia cartas a bancos com os quais o Sporting mantém relações comerciais, nas quais, na qualidade abusivamente invocada de presidente do Conselho Diretivo do Sporting, se permitiu pressionar os referidos bancos para impedir que as contas bancárias do Sporting continuem neles a ser movimentadas pelos órgãos do clube legitimamente em funções”, explicou a Comissão de Gestão.

“Esta desesperada iniciativa não obteve sucesso, tendo as referidas entidades bancárias recusado participar nesta tentativa de fraude. Atendendo à gravidade destes factos, a Comissão de Gestão do Sporting decidiu participar criminalmente do ex-presidente destituído pelos sócios junto do Ministério Público por fraude e usurpação de funções; e participar à Comissão de Fiscalização estes factos para os efeitos tidos por convenientes”, concluiu o comunicado feito esta noite.

De referir que, aquando da suspensão de Bruno de Carvalho de sócio por um ano, a Comissão de Fiscalização explicou o porquê de não ter avançado com a medida mais gravosa em termos estatutários para qualquer associado do clube, algo que poderá estar agora de novo em cima da mesa. “A sanção mais grave prevista no Sporting é a expulsão de sócio. Tendo legitimidade para tomar essa medida, e havendo matéria suficiente para o fazer, não quis esta CF deixar de considerar atenuantes e de respeitar o passado do clube. A segunda sanção mais grave, à data em que correram os factos (anteriores à AG de 23 de junho) era, pelos estatutos então em vigor, um ano de suspensão. Por ter sido, inegavelmente o principal artífice e responsável da situação grave e antiestatutária criada, foi esta a pena que o CF aplicou ao ex-presidente Bruno de Carvalho”, destacou.

No entanto, e atendendo a que estamos nesta altura a menos de três semanas das eleições, é muito provável que a avaliação à participação anunciada esta noite pela Comissão de Gestão possa passar já para o novo Conselho Fiscal e Disciplinar eleito a 8 de setembro, que terá ainda de dar o parecer ao orçamento do clube que será apresentado pela Direção eleita nas primeiras semanas de vigência de Alvalade (recorde-se que, agora, a gestão do clube está a ser feita em duodécimos).

Acrescente-se que, já esta segunda-feira, Bruno de Carvalho tinha sido notícia pelo envio de SMS a jogadores da equipa de futebol antes do encontro frente ao V. Setúbal, que teriam causado algum desconforto por terminaram com a expressão “o vosso presidente”. À tarde, o presidente destituído dos leões confirmou a mensagem, acrescentou também que tinha enviado uma outra de parabéns depois do triunfo em Moreira de Cónegos na primeira jornada do Campeonato, mas desmentiu parte do seu teor, nomeadamente o facto de ter assinado como “presidente” e de, neste caso em específico antes da partida com os sadinos, haver mensagens personalizadas para que fosse mais fácil despistar a origem caso se tornassem públicas.

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