A abertura do capital da Farfetch ao investimento bolsista está iminente. Segundo a imprensa, o “unicórnio” fundado pelo português José Neves entregou um pedido de registo para entrar em bolsa — depois de vários meses de notícias que apontavam para que a empresa sedeada em Londres estaria a preparar a dispersão do capital na bolsa de Nova Iorque.

A notícia da entrega do documento foi avançada por um portal especializado em notícias sobre o negócio da moda, o Business of Fashion, que indicava que ainda não existe informação sobre a percentagem do capital que irá ser disperso em bolsa (nem sobre o encaixe pretendido pela empresa com esta operação). O Financial Times, entre outras publicações, também já confirmou a notícia — o diário financeiro britânico indica que o encaixe mínimo será de 100 milhões de dólares, uma pequena parte de uma avaliação total que pode ascender aos cinco mil milhões.

Segundo o documento habitualmente entregue nestes processos, o F-1 (disponível nesta ligação), a empresa quer aparecer sob o símbolo FTCH. Se for aceite pelo operador bolsista, este será o ticker das ações comuns da empresa, as chamadas classe A. Irá haver, também, um segmento paralelo de ações — as ações de classe B — que vão ficar na posse de José Neves, o fundador, e que valem 20 direitos de voto cada uma.

A Farfetch existe graças ao amor pela moda. Acreditamos na promoção da individualidade. A nossa missão é ser a plataforma tecnológica global na moda de luxo, ligando criadores, curadores e consumidores”, pode ler-se no documento entregue junto do regulador do mercado norte-americano, a SEC.

O Observador tentou contactar fonte oficial da Farfetch, até ao momento sem sucesso.

Já em março foi noticiado que a empresa havia contratado os bancos JPMorgan e Goldman Sachs para preparar esta operação. Trata-se de uma das poucas empresas tecnológicas europeias avaliadas (nas rondas de investimento privado) em mais de mil milhões de euros — daí a designação “unicórnio” –, um negócio que está ligado ao comércio online de marcas de luxo. A Farfetch permite a centenas de marcas de topo, incluindo lojas independentes, vender a partir das suas plataformas digitais e ajuda a gerir as funções de backoffice de forma mais eficiente.

A Farfetch deverá dispersar apenas uma percentagem do capital, mas o preço a que se vai tentar vender as ações deverá pressupor uma avaliação a rondar os cinco mil milhões de dólares, ou 4,3 mil milhões de euros ao câmbio atual.

A faturação da Farfetch aumentou de 173 milhões para 268 milhões de dólares no primeiro semestre, embora o resultado líquido tenha sido mais negativo: o prejuízo antes de impostos mais que duplicou para 68 milhões de dólares). No portal da Farfetch estão presentes cerca de 3.200 marcas, incluindo insígnias como a Chanel e a Gucci. Cerca de 935 mil pessoas utilizam a plataforma, segundo dados da empresa relativos ao final do ano passado, um aumento de 40% em relação ao final de 2016.