Mercados Financeiros

Apostar contra a Tesla de Elon Musk é que está a dar: mais de mil milhões

Investidores que têm as chamadas "posições curtas", a apostar na queda das ações da Tesla, estão a ver as suas apostas valorizarem-se em mil milhões de dólares desde o "tweet" de Elon Musk.

AFP/Getty Images

Os investidores que têm as chamadas “posições curtas” na Tesla, a apostar na queda das ações, estão a ver as suas apostas valorizarem-se em mais de mil milhões de dólares desde o tweet que Elon Musk escreveu a 7 de agosto — que lhe poderá causar problemas legais por ter vindo dizer, do nada, que havia um acordo com “financiamento assegurado” de sauditas para tirar a Tesla da bolsa de valores.

Inicialmente, as ações subiram, em reação a essa publicação de Musk na rede social. Mas, não havendo qualquer sinal concreto de que o financiamento revelado por Musk é real, as ações caíram cerca de 20% nas últimas duas semanas. Pelo meio, Elon Musk deu uma entrevista em que falou sobre “o ano mais difícil e doloroso da carreira“, o que não ajudou. Segundo cálculos citados pelo The Guardian, estes investidores — que Musk critica por “quererem que a Tesla morra” — estarão a beneficiar da queda das ações num valor total superior a mil milhões de dólares: 1,09 mil milhões de dólares, ou 940 milhões de euros.

Os investidores com “posições curtas”, ou short sellers, ganham dinheiro porque pedem emprestada uma dada quantidade de ações e vendem-nas no mercado a esse preço. Posteriormente, se o valor das ações cair na bolsa, os investidores compram o mesmo número de ações e devolvem-nas a quem emprestou, lucrando com a diferença entre um preço e o outro. No caso específico da Tesla, estes investidores — alguns bem conhecidos e com bolsos profundos — não acreditam que Elon Musk vai conseguir cumprir as promessas que faz, designadamente nas metas de produção dos vários modelos de automóveis.

De acordo com a consultora S3, citada pelo jornal britânico, mais de um quarto das ações da Tesla que circulam no mercado (o free float) estão na mão de investidores que apostam na queda dos títulos, e não na valorização. “Este é um dos maiores shorts dos últimos anos nos EUA”, diz um responsável da consultora, Ihor Dusaniwsky. “Tornou-se uma guerra de vontades”, com os dois lados a tentarem perseverar até que seja demonstrado quem tem razão sobre o futuro da empresa. “Os grandes players no lado dos shorts estão convictos de que a ação vai continuar a cair, até à bancarrota”, acrescenta o especialista.

Entre quem investe na valorização das ações e quem aposta na queda, estão os analistas — que não compram nem vendem, só emitem opiniões. Mas até esses estão cada vez mais pessimistas, de um modo geral. O JPMorgan cortou o preço-alvo das ações da Tesla, dececionado pelo facto de Musk ter usado as redes sociais para dar a entender que poderia haver um acordo para tirar a empresa da bolsa. Por outro lado, um gestor de fundos em Londres, Crispin Odey, comparou Elon Musk a Donald Crowhurst, um marinheiro amador que, nos anos 60, partiu sozinho para uma viagem à volta do mundo e nunca mais foi visto.

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