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Fogo das imagens de Marcelo Brodsky revive o Maio de 68 no Museu Berardo

Intitulada "1968: O Fogo das Ideias - Marcelo Brodsky", as imagens têm a curadoria de Inês Valle e ficará patente até 6 de janeiro de 2019, no Museu Coleção Berardo.

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  • Agência Lusa
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Obras do artista Marcelo Brodsky que trazem imagens do passado ao presente para reviver a história do Maio de 68 e de outras manifestações sociais no mundo, incluindo Portugal, foram reunidas numa exposição que inaugura quarta-feira, em Lisboa.

Intitulada “1968: O Fogo das Ideias – Marcelo Brodsky”, tem curadoria de Inês Valle e ficará patente até 6 de janeiro de 2019, no Museu Coleção Berardo.

“Hoje, as novas gerações não se interessam por informação se não tiver imagem”, disse o artista durante uma visita guiada para jornalistas à exposição, que inclui fotografia, vídeo, instalação e diversa documentação de manifestações sociais realizadas ao longo da década de 1960, em vários países.

Intervindo em imagens da época, Marcelo Brodsky – através de palavras e pintura – sublinha os acontecimentos e destaca pormenores que um olhar rápido poderia deixar passar despercebidos. A exposição – a primeira individual em Portugal – começa com uma obra nova, criada este ano, com uma artística de Brodsky numa fotografia de uma manifestação nas ruas de Paris, durante o Maio de 68.

De acordo com o artista e ativista, esta foi uma das imagens que a polícia autorizou divulgar do seu arquivo da época e que – passados 50 anos – foi apresentada pela primeira vez nos Encontros de fotografia de Arles, em França.

Na imagem, com um manifestante isolado, na rua, rodeado de pedras espalhadas pelo chão, o artista destaca cada uma delas a cores e associa-as a um conceito: liberdade, luta, revolução, poder, revolta, liberdade, arte. “Trago o passado ao presente, para o sublinhar, fazer reviver, para a atualidade”, disse, sobre as imagens de arquivo que trabalha, pintando, destacando pormenores dos manifestantes ou as palavras de ordem dos cartazes que empunham.

A pensar sobretudo nos jovens, o artista continua a trabalhar nesta temática, que, sublinha, “nunca acaba e é hoje, ainda, muito atual”. “É também um trabalho de investigação sobre a linguagem. Como contar a história do Maio de 68?”, que a sua contínua demanda, passando por lugares como Washington, na Poor People’s March, nas manifestações contra a Guerra do Vietname, que ocorreram em Berlim, Londres ou Tóquio, e nas diversas manifestações e campanhas estudantis contra as estruturas governamentais que aconteceram no Brasil, na Argentina, em França e em Portugal.

De Portugal, explicou a curadora à agência Lusa, existem três fotografias de arquivo que retratam as manifestações de estudantes em Coimbra e Lisboa, em 1969, e mais três imagens captadas na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, onde o povo reclamava a independência.

A exposição cria também diálogos inéditos entre a obra de Brodsky e as de outros artistas, como Marcel Broodthaers e Ricardo Martins.

Rita Lougares, diretora artística do Museu Coleção Berardo, disse aos jornalistas que a exposição “é uma homenagem ao Maio de 68, passados 50 anos, e a todos os movimentos que ocorreram nessa época, mudando a nossa maneira de ser, a cultura, o pensamento e as relações entre as pessoas, que exigiram um mundo diferente, mais justo”.

A inauguração da exposição de Marcelo Brodsky “1968: O Fogo das Ideias” está prevista para quarta-feira, às 19:00, com entrada livre, e o artista fará uma visita guiada ao público no sábado, às 16:00.

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