Rádio Observador

Angola

José Filomeno dos Santos está numa cela VIP à parte dos reclusos de delito comum

Está colocado dentro de uma vivenda existente na cadeia, separada por grades da ala destinada aos restantes reclusos de delito comum e a alimentação é-lhe fornecida diretamente pela família.

José Filomeno dos Santos, filho de José Eduardo dos Santos, é acusado de envolvimento num crime referente a uma alegada burla de 500 milhões de dólares

Autor
  • Agência Lusa

José Filomeno dos Santos, ex-presidente do Fundo Soberano de Angola, está detido desde segunda-feira numa cela VIP da cadeia do hospital-prisão, à parte dos reclusos de delito comum, disseram esta terça-feira fontes oficiais à agência Lusa.

Fontes dos serviços prisionais indicaram que o filho do antigo Presidente angolano José Eduardo dos Santos, detido preventivamente sob a acusação de má gestão do fundo e de alegado envolvimento numa transferência ilícita de 500 milhões de dólares, está colocado dentro de uma vivenda existente na cadeia, separada por grades da ala destinada aos restantes reclusos de delito comum e que a alimentação é-lhe fornecida diretamente pela família.

Segundo as fontes, são procedimentos “normais” utilizados pelas altas personalidades que se encontram detidas preventivamente na Cadeia de São Paulo, situada no distrito urbano do Rangel, arredores de Luanda, e que tem capacidade para 270 reclusos, estando praticamente cheia, mas não sobrelotada.

José Filomeno dos Santos ou “Zenu”, como é conhecido localmente, tem recebido algumas visitas de familiares e de alguns amigos, acrescentaram as fontes, sem avançar com nomes, mesmo quando questionadas se Eduardo dos Santos iria visitá-lo à prisão.

As fontes adiantaram que, tradicionalmente, e dado tratar-se de um hospital-prisão, os “detidos VIP encenam” a marcação de uma consulta externa de especialidade para, tal como prevê a lei, poderem ser assistidos medicamente numa clínica fora da cadeia, sendo a oportunidade aproveitada para contactos com a família e amigos.

Se de manhã, as visitas a “Zenu” ainda foram algumas, sobretudo de familiares, da parte da tarde, asseguraram à Lusa, não houve conhecimento de nenhuma, até porque as portas encerraram, extraordinariamente, às 15:00 locais (mesma hora em Portugal), quando deveriam ter fechado às 12:00 por causa da afluência de visitantes e também de curiosos.

Por essa razão, à hora em que a Lusa permaneceu junto à entrada da cadeia, apenas existia a presença de alguns militares e de transeuntes.

José Filomeno dos Santos foi presidente do conselho de administração do Fundo Soberano de Angola, nomeado pelo pai, então chefe de Estado angolano, e, entretanto, exonerado pelo atual Presidente, João Lourenço, em janeiro deste ano.

“Zenu” é acusado, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR) angolana, de envolvimento num crime referente a uma alegada burla de 500 milhões de dólares, processo já remetido ao Tribunal Supremo, bem como, ainda em fase de instrução, num processo-crime relacionado com atos de má gestão do fundo, em que é também arguido o empresário suíço-angolano Jean-Claude Bastos de Morais, sócio de José Filomeno dos Santos em várias negócios, e que está também em prisão preventiva na cadeia de Viana.

Segundo a PGR, da prova recolhida nos autos resultam indícios de que os arguidos incorreram na prática de vários crimes, entre eles, o de associação criminosa, recebimento indevido de vantagem, corrupção e participação económica em negócio, puníveis na Lei sobre a Criminalização das Infrações Subjacentes ao Branqueamento de Capitais, e os crimes de peculato e burla por defraudação, entre outros.

“Pela complexidade e gravidade dos factos, com vista a garantir a eficácia da investigação, na sequência dos interrogatórios realizados, o Ministério Público determinou a aplicação aos arguidos da medida de coação pessoal de prisão preventiva”, adianta a PGR, salientando que a instrução prossegue os seus trâmites legais, com caráter secreto.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)