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Ilustração

Obra visual de Catarina Sobral ocupa espaços do teatro LU.CA

O mote para esta ocupação do LU.CA, até ao dia 14, é o espectáculo "Impossível", com manipulação de ilustração em tempo real, e o lançamento de um novo livro ilustrado, hómonimo.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A obra visual da autora portuguesa Catarina Sobral ocupa por estes dias os espaços do Teatro Luís de Camões – LU.CA, em Lisboa, com um espectáculo, um novo livro ilustrado, um filme concerto e uma exposição.

O LU.CA, renovado este ano e vocacionado para públicos mais novos, escolheu Catarina Sobral, 32 anos, premiada autora de livros ilustrados, para iniciar um novo ciclo de programação focado num autor.

O mote para esta ocupação do LU.CA, até ao dia 14, é o espectáculo “Impossível”, com manipulação de ilustração em tempo real, e o lançamento de um novo livro ilustrado, hómonimo, feito a partir da mesma temática dessa performance.

“Impossível” é a primeira criação para teatro de Catarina Sobral e, ao mesmo tempo, o primeiro livro ilustrado de não-ficção, sobre a história do Universo.

A história que mais me apeteceu contar foi aquela que no fundo é ‘a’ história, a primeira história, que engloba todas as histórias. E também porque gosto deste tema da Astrofísica”, afirmou Catarina Sobral, em entrevista à agência Lusa.

Tanto o livro, que sairá este mês pela Orfeu Negro, como o espetáculo tentam explicar o “Big Bang”, o momento inicial de todas as coisas, aquele milionésimo de segundo que deu origem ao Universo e a tudo o que nele existe.

“É mais um desafio, como tornar isto suficientemente metafórico para as crianças perceberem”, sem deixar de lhes falar em partículas, átomos, estrelas, matéria, espaço e tempo., disse Catarina Sobral.

Em palco, a história é interpretada pela atriz Madalena Marques, com sonoplastia de F. Kent Queener. Catarina Sobral está atrás da plateia, a manipular os recortes e as ilustrações que vão sendo projetadas em cena, em diálogo com a atriz.

No livro “Impossível”, que será apresentado no LU.Ca no dia 13, a autora adaptou a história para a encaixar nas páginas de papel. “O espectáculo tem música e som e no livro não existe mais nada. Quis dar som com as ilustrações”, disse.

Se o espetáculo “Impossível” se desdobra agora para um livro ilustrado, houve outro livro, intitulado “Vazio” (2014), que deu origem a um filme de animação, o “Razão entre dois volumes”, já apresentado em festivais e que será exibido no sábado no LU.CA com música ao vivo, de F Kent Queener.

Além de tudo isto, o LU.CA deu carta branca a Catarina Sobral para fazer uma intervenção plástica nas áreas públicas do teatro, com frases e elementos retirados do livro “Impossível”, como representações de partículas, crocodilos, dinossauros.

Este ciclo do LU.CA acontece numa altura em que Catarina Sobral tem cerca de uma dezena de livros ilustrados, a maioria já traduzidos e editados noutros países, como Coreia do Sul, Japão, Brasil, Espanha e Suíça. Alguns deles, como “Achimpa” e “O meu avô”, valeram-lhe prémios internacionais.

Desde que se estreou em 2011, com “Greve”, Catarina Sobral reconhece que tem já outra agilidade no processo criativo.

“A forma de abordar o trabalho é idêntica, os medos são os mesmos, a tentativa de fazer algo novo de cada vez, de ser alguma coisa fresca, de experimentar algo novo, mantém-se. Mas é mais informada a forma como o faço. Tenho um ‘savoir faire’ que me permite ser mais rápida”, disse.

Nesse trabalho criativo, no qual defende o ato de desenhar em si mesmo, Catarina Sobral diz que se inspira na literatura, nas artes, nos outros, para “chegar a uma imagem”.

Uma ideia para mim tem uma forma de problema-solução-catarse, para mim uma história completa já tem essas três fases. E até ter essas três fases ainda não é palpável, não é assunto para um livro, um filme ou um espectáculo. Quando tenho esses três elementos posso começar em pensar em fazer algum objeto”, explicou.

No momento de comprar um livro ilustrado que sirva crianças e adultos, Catarina Sobral não quer fazer distinções, “porque às vezes a conotação do infantil é negativa”.

“Não podemos colocar os livros numa secção inferior. Claro que é muito difícil escrever para adultos, mas também é difícil escrever para crianças. Tem especificidades próprias, o texto para crianças e o texto para todos. Às vezes trata-se estes textos com alguma indiferença, mas tem muito trabalho, a síntese é muito difícil de conseguir”, disse.

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