São Tomé e Príncipe

Eleitores em São Tomé escolhem entre ir “mais além” com Trovoada ou dar o poder à oposição

Patrice Trovoada pode renovar o mandato como primeiro-ministro, mas os eleitores também podem preferir apostar na oposição, liderada pelo Movimento de Libertação, que já tem um acordo de governação.

Quase 100 mil eleitores vão decidir o rumo de São Tomé e Príncipe nestas eleições

NUNO VEIGA/LUSA

Os eleitores de São Tomé e Príncipe são chamados a escolher, este domingo, entre a continuidade do Governo de Patrice Trovoada (ADI) ou um novo Executivo, do líder da oposição ou em coligação com outros partidos.

Eleito em 2014 com maioria absoluta na Assembleia Nacional (33 deputados em 55), o primeiro-ministro cessante, Patrice Trovoada (Ação Democrática Independente), insistiu, ao longo da campanha eleitoral, na necessidade de renovar o mandato, pedindo para ir “mais além” e prosseguir o trabalho que reconheceu não ter conseguido fazer nos últimos quatro anos.

Entre os seus adversários, destacou-se Jorge Bom Jesus, que está desde julho à frente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD, líder da oposição, com 16 deputados eleitos em 2014), prometendo renovar o partido.

Caso não consiga uma maioria absoluta nas legislativas de domingo, o MLSTP já tem um acordo assinado para constituir Governo com a coligação formada pelo Partido da Convergência Democrática (PCD), a União para a Democracia e Desenvolvimento (UDD), e o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), encabeçada por Arlindo Carvalho.

A estas eleições concorrem ainda Elsa Garrido (Movimento Social Democrata — Partido Verde) e Martinho Stock (Força do Povo).

Este foi o primeiro mandato executivo cumprido na totalidade, desde a introdução do multipartidarismo, há 26 anos, algo que o primeiro-ministro cessante justificou, em declarações à Lusa, com a “coesão social” e pelo “bom relacionamento institucional” com o Presidente da República, Evaristo Carvalho, também da ADI.

Para as eleições legislativas e autárquicas e regional do Príncipe, estão inscritos 97.274 eleitores. As 247 mesas de voto em todo o país abrem às 07:00 e encerram às 18:00.

Para as câmaras regionais, a ADI quer renovar os cinco mandatos que conquistou nas últimas eleições — apenas o distrito de Caué é do MLSTP.

No Príncipe, com 5.168 eleitores, concorrem três candidatos: o atual presidente do governo regional, José Cassandra, da União para Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP), procura um quarto mandato, e confronta-se com o candidato do MLSTP, Luís Prazeres (‘Kapala’), e com Nestor Umbelina, dissidente da UMPP, que concorre pelo recém-criado Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe.

Numa mensagem dirigida aos são-tomenses na sexta-feira, último dia da campanha eleitoral, o Presidente da República, Evaristo Carvalho, afirmou que, no próximo domingo, os são-tomenses vão poder “avaliar os resultados de quatro anos de uma governação sucessiva” e aplicar a “expressão popular ‘o povo põe, o povo tira'”.

“Desde o advento da democracia no nosso país, há 26 anos, é a primeira vez que se viu a oportunidade de avaliar os resultados de quatro anos de uma governação sucessiva. Eis chegada a hora que nos oferece a democracia, seguindo a expressão popular ‘o povo põe, o povo tira’, isto é, para aprovar o que está bom e rejeitar o que é mau para o desenvolvimento da nação”, afirmou o chefe de Estado são-tomense.

O Presidente são-tomense defendeu que a população deve “refletir e votar com consciência para que seja acertada a escolha” com “o desejo e pensamento no futuro do país”.

O processo eleitoral será acompanhado por missões de observação eleitoral, que já estão no terreno, nomeadamente uma da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), chefiada pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros timorense Zacarias da Costa.

Um dos temas a que os observadores devem estar atentos é ao fenómeno da compra de votos dos eleitores, conhecido como ‘banho’.

O presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Alberto Pereira, disse esta sexta-feira que essa é uma realidade que “está a diminuir”, porque “não há dinheiro”.

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