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São Tomé e Príncipe

Vencedor das eleições em São Tomé será chamado “em primeira mão” para formar Governo

Em entrevista à Lusa na capital de São Tomé, esta quinta-feira, o chefe do Governo advertiu que os eleitores não escolheram uma coligação da oposição.

NUNO VEIGA/LUSA

O primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, afirmou-se esta quinta-feira convicto de que o partido que lidera, Ação Democrática Independente (ADI), será chamado “em primeira mão” para formar Governo e advertiu que os eleitores não escolheram uma coligação da oposição.

“Qualquer que seja o resultado definitivo, quem vence as eleições, sabemos que é a ADI”, disse esta quinta-feira Patrice Trovoada, chefe do Governo cessante, em entrevista à Lusa na capital de São Tomé e Príncipe.

A ADI, afirmou, “será chamada em primeira mão a apresentar uma solução de Governo”.

Segundo os resultados provisórios das eleições legislativas de domingo, divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), a ADI venceu as legislativas por maioria simples (25 mandatos em 55 da Assembleia Nacional), seguindo-se o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), com 23 lugares; a coligação PCD-UDD-MDFM, com cinco eleitos, e ainda dois deputados eleitos como independentes pelo distrito de Caué (sul do país).

O primeiro-ministro já anunciou que vai procurar um entendimento com os deputados de Caué, o que garantiria 27 deputados, menos um que os assentos assegurados pelo MLSTP-PSD e coligação, que fizeram um acordo de incidência parlamentar e com fins governativos.

“Em São Tomé e Príncipe já vi muitas coisas na política. Já vi partidos que perderam mais de 20% de deputados, que passaram a independentes. Já vimos parlamentos dissolvidos e ressuscitados por decretos presidenciais”, comentou, apelando: “Vamos ter calma. O jogo político aqui é muito versátil”.

Trovoada referiu que “se a ADI criar as condições para governar, a ADI irá governar”. “Eu não tenho nenhum problema em acreditar que o Presidente da República, no exercício das suas responsabilidades, irá, tomando em conta os resultados eleitorais, optar pela solução que melhor garante os interesses do país”, disse.

Questionado sobre o apelo que a oposição lançou esta quarta-feira para que o chefe de Estado, Evaristo Carvalho, “queime etapas”, recordando que um executivo de Patrice Trovoada “sucumbirá” no parlamento, o presidente da ADI desvalorizou.

“A oposição quer ir para o poder. É normalíssimo. Eu imagino o stress de pensarem que o poder pode escapar por um voto, um mandato, e ficarem quatro anos ainda na oposição. É normal que haja essa excitação e pensam que tudo serve, mas não serve tudo”, disse.

Por outro lado, sublinhou, “o povo não escolheu uma coligação MLSTP-PCD-UDD-etc etc”: “O povo não escolheu uma ‘combinazione’. Então vamos ser democratas. Por enquanto, o povo põe, o povo tira”, considerou Patrice Trovoada, repetindo uma palavra de ordem utilizada particularmente pela oposição durante a campanha eleitoral.

O governante afirmou que os responsáveis políticos têm agora de “viabilizar” a “situação” que “o povo criou”.

“O povo fixa um quadro, se esse quadro é funcional ou não, veremos. E houve casos em que teve de se refazer eleições, para que o povo, que põe e que tira, pudesse de novo explicitar melhor, nas urnas, qual é o cenário que quer para o país”, disse, sublinhando: “Eu quero é que se respeite a legalidade”.

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Ruth Manus

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