O presidente-executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, adiantou em entrevista à delegação portuguesa da agência Reuters que está a “discutir ativamente” com dois bancos nacionais no sentido de alargar a sua oferta a serviços financeiros digitais de nova geração já em 2019.

“Vamos continuar a trabalhar na lógica de melhorarmos os nossos serviços e sermos disruptivos, não apenas naquilo que oferecemos na área tradicional, mas também aparecermos em áreas que não seriam tão suspeitas”, adiantou Alexandre Fonseca em entrevista à Reuters. “Neste momento, a Altice Portugal está a falar com duas instituições financeiras nacionais (…) sobre a possibilidade de expandir a sua oferta para a área de serviços financeiros”.

“É natural que no próximo ano talvez possamos assistir de facto ao continuar do alargamento do nosso portfólio de produtos e serviços também à área financeira. É uma possibilidade, sem dúvida”, disse à Reuters, referindo que tem de haver “um plano de negócios muito suportado”.

Alexandre Fonseca disse que os contactos estão a ser mantidos “não com a banca de retalho tradicional, mas com os seus canais digitais de serviços de nova geração na área financeira, que em Portugal ainda estão pouco evoluídos e podem ser exponenciados com sinergias com uma entidade como uma telecom“. “Estas parcerias ou sinergias com o sector financeiro terão de ser feitas com instituições financeiras com credibilidade, com espaço firmado, de preferência instituições nacionais, que são as que conhecem melhor o mercado”, vincou o CEO.

Em julho de 2017, o jornal francês Le Parisien referiu o Grupo Altice queria criar um banco digital na Europa, tendo Alexandre Fonseca referido que apesar deste projeto “ambicioso” estar em banho-maria, “isso não inibe que se forneçam serviços financeiros, porque não é preciso ter um banco para tal”. “Nós, a nível do grupo Altice, e Portugal não é exceção, procuramos diversificar porque um operador hoje em dia não é a mesma coisa que um operador há 10 ou 15 anos atrás”, afirmou.

Recentemente, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) disse que os bancos nacionais terão de acelerar profundamente o desenvolvimento tecnológico para concorrerem com as disruptivas Fintech, vendo as ‘big techs‘ (como a Amazon e a Google) como a grande ameaça para o sector financeiro. O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, também já fez comentários no mesmo sentido.