As Nações Unidas estão a acompanhar “atentamente o desenvolvimento do processo eleitoral em São Tomé” e só vão deixar o país após o anúncio dos resultados oficiais pelo Tribunal Constitucional (TC), disse esta quarta-feira o representante para a África Central.

“Nós estamos muito atentos ao desenvolvimento do processo eleitoral em curso neste país e eu transmiti ao senhor Presidente da República a disponibilidade das Nações Unidas para acompanhar o povo são-tomense na sua marcha para a democracia”, disse François Fall, representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a África Central e chefe do escritório regional, no final de uma audiência com Evaristo Carvalho.

O diplomata da ONU garantiu que só vai deixar o país depois de os resultados oficiais das eleições de 7 de outubro serem anunciados pelo Tribunal Constitucional. “Estamos a seguir os trabalhos no Tribunal Constitucional e quando esse tribunal terminar o seu trabalho, será a vez de o Presidente da República jogar o seu papel, depois de os resultados oficiais serem proclamados”, explicou o diplomata, que diz acreditar em Evaristo Carvalho como “um bom interlocutor que está pronto a aplicar toda a disposição constitucional, enquanto garante das instituições”.

François Fall disse que recebeu de Evaristo Carvalho a garantia de que após a proclamação dos resultados oficiais, irá proceder em conformidade com a Constituição. O representante das Nações manifestou ainda a sua confiança no TC e na classe política do país.

Numa declaração divulgada esta terça-feira, Fall pediu que o Tribunal Constitucional “cumpra as suas responsabilidades em estrita conformidade” com a lei, recordando a boa experiência do país em alternância democrática e estabilidade. O representante da ONU esclareceu que o objetivo da sua visita a São Tomé e Príncipe, que teve início no passado domingo, é o de “avaliar a situação no terreno e acompanhar os esforços envidados pelos principais atores para finalizar este processo eleitoral de acordo com a lei”.

François Fall garantiu que o seu papel, bem como das Nações Unidas, “não é interferir no processo eleitoral nem no trabalho que decorre atualmente no Tribunal Constitucional”, de apuramento dos resultados finais das eleições. “É neste contexto que me encontrei o primeiro-ministro e chefe do partido do governo, ADI [Ação Democrática Independente], e líderes do MLSTP [movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata] e a coligação PCD-MDFM-UDD, o presidente do Tribunal Constitucional e membros da comunidade internacional”, referiu.

François Fall indicou ainda que o presidente do TC o convidou para “participar como observador no processo” que teve início na segunda-feira. “Portanto, respondi a este convite participando na primeira sessão (…), observando o trabalho realizado pelo presidente do Tribunal Constitucional, sem falar ou ter qualquer ação”, disse.

A ADI, partido no poder e vencedor das eleições legislativas, com maioria simples (25 deputados em 55 na Assembleia Nacional), pediu ao TC a reavaliação dos votos nulos e brancos, acusando a oposição de cometer fraude eleitoral.

O líder do partido e ainda primeiro-ministro, Patrice Trovoada, considerou, em entrevista à Lusa, “estranho” o número de votos nulos – mais de dois mil -, superior à diferença de votos entre a ADI e o MLSTP-PSD, de cerca de 1.200.

MLSTP e a coligação reclamaram vitória com maioria absoluta nas legislativas, com 28 deputados (23 para o partido e cinco para a coligação).