Mercados Financeiros

“Bolsorally”. Eleição de Bolsonaro leva bolsa de São Paulo a máximos históricos

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A bolsa de São Paulo abriu em máximos históricos, com uma valorização superior a 3%. Suíço UBS admite que bolsa pode disparar quase 40% até ao final do ano.

Getty Images

A bolsa de São Paulo abriu com uma valorização superior a 3% esta segunda-feira, levando o índice acionista aos valores mais elevados de sempre. Mas este não é o único indicador que mostra como a eleição de Jair Bolsonaro para próximo Presidente brasileiro está a ser bem recebida pelos investidores bolsistas: o real está a valorizar-se cerca de 1,5% face às principais divisas (incluindo o euro e o dólar) e o risco da dívida pública também está a aliviar e caiu cerca de 30% desde o início de setembro.

Os bancos de investimento já batizaram como “Bolsorally” este “rally” (termo da gíria bolsista para um forte desempenho das ações num curto espaço de tempo) que não está a apanhar desprevenidos os investidores: já nos últimos dias os bancos de investimento mostraram confiança de que uma vitória de Bolsonaro (e uma derrota do Partido dos Trabalhadores) seria um fator potencialmente positivo para a economia e para a bolsa brasileiras.

Uma unidade de investimento do Banco Bradesco, o Bradesco BBI, indicou que a sua expectativa é que esta nova administração tenha “um arranque intenso”, anunciando várias reformas na economia e política do Brasil — incluindo privatizações, o que pode ser bem recebido pelas bolsas. O índice Ibovespa, que tocou os 88.377 pontos, pode disparar “rapidamente” para os 100 mil pontos.

O suíço UBS também antecipa um desempenho forte das bolsas nas próximas semanas. Se Jair Bolsonaro conseguir formar uma maioria consistente no congresso e avançar, rapidamente, com pacotes reformistas na economia brasileira, o índice Ibovespa pode chegar à passagem de ano (para 2019) nos 119 mil pontos, o que seria uma valorização de quase 35% em relação ao máximo histórico tocado esta segunda-feira.

Privatizações e pensões. As chaves para a política económica de Bolsonaro

O presidente-eleito no Brasil tem prometido que irá contribuir para baixar o défice das contas públicas, reduzir o endividamento do país e tornar o Estado mais pequeno e eficiente. Bernd Berg, analista da Woodman Asset Management, comentou em nota enviada aos clientes, que “Bolsonaro obteve uma vitória esmagadora, prometendo um futuro melhor a um Brasil que vem de anos e anos de recessão e escândalos de corrupção”. “Estou confiante de que Bolsonaro vai cumprir nas reformas que são muito necessárias no país”, acrescenta o especialista, escrevendo a partir de Zurique, na Suíça.

Outra gestora de ativos influente, a Schroders, escreve em nota distribuída esta segunda-feira que “os mercados financeiros tinham estado a fazer figas por uma derrota do candidato esquerdista Fernando Haddad”, que era visto como alguém “fortemente anti-reformas, anti-privatizações e a favor de mais despesa pública”.

Bolsonaro nunca foi um grande defensor das privatizações — chegou a dizer que quem promoveu a privatização da mineira Vale devia ser “fuzilado” –, mas esse tipo de discurso desapareceu durante a campanha e a nomeação de Paulo Guedes como principal conselheiro económico (e provável ministro) dá algumas garantias aos investidores acerca do rumo a tomar na economia, já que Guedes é visto como um defensor dos mercados livres.

O risco é que, consoante a equipa de responsáveis e conselheiros que Bolsonaro vier a nomear, o novo presidente pode não ter apoios ou querer evitar danos para a sua popularidade e, por essa razão, afastar-se de fazer reformas no sistema de pensões, que a maioria dos economistas externos vê como o principal problema para a competitividade e para o equilíbrio das contas públicas brasileiras. “Reformar o sistema de pensões é a principal chave para corrigir as perspetivas difíceis para as contas públicas do Brasil”, defende a Schroders.

Também o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou, recentemente, que para que se consiga estabilizar os gastos com pensões (em percentagem do PIB), seria necessário aumentar a idade de reforma, quebrar a indexação entre o salário mínimo e as pensões mínimas e fazer uma distribuição mais equilibrada dos benefícios que são dados aos reformados da Função Pública e aos antigos trabalhadores do setor privado.

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