No período de descontos da primeira parte, um desvio de cabeça após bola parada deixou a ideia de ir ao braço de um defesa do Boca Juniors. Os jogadores do Palmeiras, sem hesitações, correram em direção do árbitro Wilmar Roldán pedindo uma grande penalidade. Deyverson, o avançado que passou pelo Benfica B e pelo Belenenses antes de rumar a Espanha e regressar em alta ao Brasil, ia desenhando com os dedos o sinal do VAR, à espera de boas notícias. Que não vieram: o vídeo-árbitro, com possibilidade de ver o lance de diferentes ângulos, considerou que foi um desvio demasiado em cima para que houvesse uma mão voluntária. Apito final, intervalo, e mais um conjunto de jogadores do Verdão em cima do juiz por causa deste lance.

Allianz Parque encheu para mais uma meia-final com muita emoção e… passagem à final dos argentinos (Alexandre Schneider/Getty Images)

O VAR está na moda na América do Sul e, depois de ter tido um papel determinante na eliminação do Grémio frente ao River Plate (neste caso, com erros grosseiros à mistura), voltou a assumir uma grande importância no segundo jogo da segunda meia-final da Taça Libertadores: em desvantagem por 2-0, o conjunto do antigo selecionador Luiz Felipe – que chegou ao Palmeiras e conseguiu colocar a equipa muito próxima de ganhar o Campeonato – tinha de entrar mais forte e marcar primeiro, algo que aconteceu logo aos dez minutos por Bruno Henrique. Era o início perfeito mas que foi desfeito pelo vídeo-árbitro: no arranque da jogada, Deyverson estava ligeiramente adiantado e o lance acabou por ser bem anulado.

Lances que “até o Stevie Wonder via”, atropelo das regras, árbitros escoltados: uma novela na Libertadores

O conjunto brasileiro dominava no Allianz Parque mas foi o Boca Juniors a marcar na primeira grande oportunidade de golo que teve: lançamento longo de Jara em Villa no flanco direito, cruzamento para o coração da área e desvio de primeira de Ramón Ábila, o “tanque” de serviço no ataque dos xeneizes que voltou a deixar no banco Carlos Tévez, Mauro Zárate e Dario Benedetto, o herói da primeira mão com um bis, e que esteve em 2016/17 no Campeonato brasileiro, ao serviço do Cruzeiro.

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No segundo tempo, a receita foi a mesma e não houve VAR capaz de contrariar: na insistência após um livre lateral, Luan ficou sozinho ao segundo poste, recebeu e fuzilou Rossi por baixo das pernas (53′); pouco depois, após uma falta desnecessária de Izquierdo que atropelou Dudu na área, Gustavo Gómez fez o 2-1 de penálti (60′). Voltava a esperança ao Palmeiras, que renascia das cinzas e tinha tempo mais do que suficiente para dar a volta, mas foi sol de pouca dura: Benedetto, que entretanto rendera Ábila, voltou a ser fundamental para o Boca Juniors, apontando o 2-2 final num remate de fora da área rasteiro sem hipóteses para Weverton (70′). E seria Zárate, de livre direto, a ficar perto da reviravolta a acertar na trave, pouco antes da festa começar a ser feita também pelos gémeos Barros Schelotto entre o relvado e um dos camarotes do estádio: Guillermo, o número 1, estava castigado e viu de longe o irmão Gustavo, o adjunto, comandar a equipa a partir do banco.

Boca Juniors ainda permitiu reviravolta do Palmeiras mas empate de Benedetto acabou com eliminatória (NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

De recordar que, antes das meias-finais, Maurício Macri, presidente da Argentina que liderou durante 12 anos os destinos no Boca Juniors (1995-2007), tinha admitido que queria tudo menos uma final entre os rivais do país. “Preferia que um clube brasileiro passasse à final. Sendo uma final entre Boca Juniors e Rive Plate, eram três semanas sem dormir. É muito, uma loucura. E quem perdesse demoraria 20 anos a recuperar”, declarou. Mas é mesmo isso que vai acontecer, com Buenos Aires a parar no mês de novembro entre as duas mão da inédita final da Libertadores (a 7 e 28).